Título: Aliança elege prefeito em maio
Autor: Paul, Gustavo
Fonte: O Globo, 05/05/2008, O País, p. 3
RECIFE. A cinco meses das eleições municipais, a população de Aliança, em Pernambuco, participou ontem de novo pleito para escolher o prefeito e o vice, em clima tenso: 30 pessoas foram detidas, acusadas de fazer boca-de-urna. O Judiciário e a Polícia Militar foram acionados para dispersar partidários dos dois lados. Um dos envolvidos no tumulto foi o deputado federal Inocêncio de Oliveira (PR-PE), aliado do candidato de oposição Azoka Gouveia (PR). O município fica na Zona da Mata, onde se concentra a agroindústria açucareira do estado, a 86 quilômetros de Recife. Em 2006, o então prefeito, Carlos Freitas (PSDB), acusado de compra de votos na eleição de 2004, renunciou para não ser cassado pela Justiça e se tornar inelegível.
O vice-prefeito, Pedro Cavalcanti, e a então presidente da Câmara, Ana Freitas, acusados do mesmo crime, usaram estratégia semelhante e também renunciaram. O TRE marcou novas eleições diretas, mas os vereadores mudaram a Lei Orgânica do município, determinando que a eleição fosse indireta. Houve muita polêmica e a confusão foi parar no TSE, que, ano passado, decidiu que a eleição deveria mesmo ser direta.
Ontem, dois candidatos foram às urnas: o governista Carlos Guedes (PSDB) e o oposicionista Azoka Gouveia (PR). No início da noite, o TRE divulgou os resultados do pleito: Azoka ganhou com vantagem de 1.400 votos. A abstenção foi de 30,79%.
Apesar da eleição, a cidade pode voltar a ficar sem o prefeito eleito: a candidatura de Azoka está sub judice, porque sua sigla, o PR, foi instalada há menos de um ano no município. Pela legislação eleitoral, um ano é o prazo mínimo de existência estabelecido para os partidos dos candidatos.