Título: Força: Paulinho é vítima de implacável perseguição
Autor: Galhardo, Ricardo
Fonte: O Globo, 06/05/2008, O País, p. 5
EMPRÉSTIMOS SOB SUSPEITA: O nome dele é citado mais de uma vez, disse a procuradora Adriana Scordamaglia
Central sindical, porém, não rebate suspeita de ligação de seu presidente com desvio de recursos do BNDES
SÃO PAULO. A Força Sindical divulgou nota ontem em que afirma que o presidente da entidade e deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), é vítima de perseguição política. A nota não rebate as acusações de que ele estaria envolvido num esquema de liberação de recursos do BNDES, segundo afirmam a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. A Força informa que promoverá manifestações e paralisações em todo o país com o objetivo de reduzir a jornada de trabalho.
"O presidente da Força Sindical está sendo vítima, mais uma vez, de implacável perseguição política, cujo único objetivo é impedir que mantenha, como sempre manteve, sua independência política e sua luta incansável na defesa dos direitos dos trabalhadores", diz a nota.
No texto, a central diz que o deputado é vítima de calúnias devido ao seu bom desempenho no Congresso. "Estamos enfrentando a oposição acirrada dos autoritários conservadores. Aqueles mesmos que buscam nosso apoio político e, ao vê-lo negado, não se conformam com nossa independência! A vitória de Paulinho no Congresso, onde se tornou um dos parlamentares mais influentes e um defensor ferrenho dos direitos dos trabalhadores, é um exemplo para todos nós", diz a nota.
Desde a semana passada o deputado é procurado pelo GLOBO para comentar as denúncias de envolvimento com o grupo que cobrava propinas para intermediar empréstimos do BNDES, investigado pela PF.
- O nome dele é citado mais de uma vez - disse a procuradora Adriana Scordamaglia, responsável pelo caso.
Para PF, o Paulinho citado em gravações é o deputado
Segundo ela, embora nas interceptações telefônicas feitas pela PF apareça apenas o apelido, Paulinho, e não haja provas materiais contra ele, outras informações levam a crer que se trata mesmo do deputado.
- No contexto, fica evidente - disse ela.
Paulinho é amigo e foi chefe de um dos principais integrantes do esquema, o lobista João Pedro de Moura, ex-conselheiro do BNDES. João Pedro e o advogado Ricardo Tosto, que também é investigado, foram indicados para o Conselho de Administração do banco pela Força.
Uma das gravações levou a PF a concluir que Paulinho teria participado com três pessoas da partilha de R$1,3 milhão, proveniente de uma propina paga pela prefeitura de Praia Grande em troca de um empréstimo de R$124 milhões do BNDES.
Na sexta-feira, o Ministério Público pediu que uma cópia do inquérito fosse remetida ao Supremo Tribunal Federal. Segundo a procuradora Adriana, o objetivo é que o STF inicie investigação sobre o deputado, que tem direito a foro privilegiado.
Ontem, o GLOBO voltou a procurar Paulinho pelo celular. Um assessor chamado Gil atendeu e disse que o deputado não daria entrevista ontem.