Título: Verbas do Inmet tiveram corte de 20% este ano
Autor: Weber, Demétrio
Fonte: O Globo, 11/05/2008, O País, p. 17

Em boa parte dos municípios, Defesa Civil só existe no papel

BRASÍLIA. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ligado ao Ministério da Agricultura, sofreu este ano corte de 20%, o equivalente a R$5 milhões, no orçamento de custeio, lamenta o diretor Antonio Divino Moura. O Inmet coleta os dados climáticos que permitem a previsão do tempo.

- Temos que fazer cada vez mais com menos - diz Divino, avisando que faltará dinheiro a partir de outubro.

Ele afirma que a meteorologia brasileira avançou muito em relação à década de 1980, quando o instituto precisava recorrer aos Estados Unidos para prever o tempo no Brasil. Hoje, o grau de confiabilidade dos boletins, com um dia de antecedência, beira 95%. Segundo Divino, é impossível que um ciclone ou um furacão atinja o Brasil sem conhecimento prévio.

Apesar da restrição orçamentária, o Inmet está ampliando a sua rede de estações meteorológicas automáticas, que funcionam sem interferência humana. Em 2005, 70 delas estavam em funcionamento. Hoje são 356, número que deverá chegar a 550 no fim do ano. O ideal seria 700. A cada hora, as estações coletam dados como temperatura, pressão e velocidade dos ventos em diferentes pontos do país. As informações seguem por satélite ou telefone celular para a sede do instituto, em Brasília, permitindo que supercomputadores do Inmet e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), rodem programas de previsão do tempo.

É preciso aumentar o monitoramento no Atlântico

O aumento do número de estações em terra firme, porém, não foi acompanhado de investimentos em bóias para monitorar o clima no Oceano Atlântico. Atualmente, diz Divino, a Marinha dispõe de apenas dez bóias fixas entre a costa brasileira e a África. Nenhuma delas no Atlântico sul, onde se formou o ciclone extratropical que causou transtornos e mortes no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, no início do mês.

A chefe do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres do Ministério da Integração Nacional, Cristina Lourenço, diz que o governo opera um sistema de alerta para os estados, que devem repassar a informação aos municípios. Segundo ela, 4.299 municípios têm leis prevendo órgãos de Defesa Civil, mas boa parte só existe no papel:

- Isso preocupa o ministério, porque são os municípios que dão a primeira resposta em caso de desastre. Se existe Defesa Civil, há plano de contingência e aí as conseqüências vão ser bem menores - diz ela.