Título: Faltam investimentos para monitorar terremotos e mudanças climáticas
Autor: Weber, Demétrio
Fonte: O Globo, 11/05/2008, O País, p. 17

Rede para detecção de fenômenos precisa ser ampliada, dizem especialistas

BRASÍLIA. Em tempos de mudanças climáticas e após constatarem que o Brasil está na rota de ciclones, terremotos e até mesmo um furacão, órgãos encarregados de detectar desastres naturais enfrentam cortes orçamentários e burocracia. A capacidade de resposta esbarra também no despreparo e na falta de vontade política das prefeituras: dos 5.564 municípios brasileiros, 4.299 (77%) têm Defesa Civil, mas boa parte só no papel, segundo o Ministério da Integração Nacional.

O chefe do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), Lucas Barros, diz que falta ao país uma rede de monitoramento capaz de detectar tremores de baixa magnitude, na faixa de 3 graus na escala Richter. No mês passado, após o tremor de 5,2 graus no litoral paulista que sacudiu prédios no Rio e em São Paulo, ele pediu ajuda ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência.

A idéia é dotar o país de uma rede de 40 pontos, dos quais apenas cinco já estão em plena atividade. O custo ficaria em US$1 milhão. Um novo encontro foi marcado. A USP poderá ser parceira.

Os tremores de baixa magnitude passam hoje despercebidos, especialmente na Amazônia. O chefe do observatório diz, no entanto, que eles indicam as áreas de atividade sísmica onde há risco de terremotos.

- Não estamos bem, porque não existem estações em número suficiente nem dispostas de maneira uniforme no território nacional. Além disso, a maioria delas não transmite dados em tempo real - diz Barros.

Ele reclama da demora do Ibama para autorizar a instalação de estações de monitoramento no Parque Nacional de Brasília. O pedido foi feito em 2005 e só autorizado este ano:

- Foram três anos - lamenta Barros.