Título: Em Fortaleza, destaque da classe C
Autor: Rosa, Bruno; Lins, Letícia
Fonte: O Globo, 12/05/2008, Economia, p. 15

Sem acesso a bancos, clientes emergentes preferem pagamentos à vista

FORTALEZA. A classe C, que tradicionalmente vivia à margem do consumo, está se beneficiando dos programas de transferência de renda do governo federal e da maior disponibilidade de crédito no mercado. Esses consumidores, que em 2005 representavam 39,76% das vendas do comércio em Fortaleza, em 2007 passaram a responder por 49,06%, segundo o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Comércio (IPDC). Já as classes D e E, que somavam 29,58%, em 2005, caíram para 16,99%, em 2007.

Apesar dessa mudança de perfil do consumidor, o superintendente da Fecomércio, Alex Araújo, chama a atenção para o fato de que esse comportamento pode mudar a qualquer momento, já que o "consumidor é muito pobre e sensível a qualquer sinal de retração da economia". No ano, diz ele, o valor médio do consumo local foi de R$12 bilhões.

A inclusão de novos consumidores no mercado teve impacto positivo nas vendas à vista. Segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Fortaleza, Onório Pinheiro, 50% das compras de varejo são feitas à vista e 25%, no cartão de crédito. O restante é dividido entre outras modalidades, como crediário e cheque pré-datado. As vendas à vista são lideradas pelos consumidores emergentes, que têm dinheiro, mas não conta bancária. Como todo nordestino, o do Ceará também consome muito produto de limpeza e material de higiene pessoal.