Título: Início da carreira teve confusão com Garotinho
Autor: Otavio, Chico; Melo, Liana
Fonte: O Globo, 08/05/2008, O País, p. 10
Élvio, que denunciou suposto conluio com empreiteiras, é ligado ao deputado Bittar
Engenheiro carioca de 45 anos, Élvio Gaspar ingressou na vida pública em 1999, a convite de Jorge Bittar, então secretário estadual de Planejamento do governo Garotinho, para ser o subsecretário da pasta. Conhecido pela capacidade de gestão financeira, Élvio já havia participado de pelo menos duas campanhas eleitorais de Bittar no Rio.
No ano seguinte, após um processo de esvaziamento da secretaria imposto pelo governador, Élvio deu ao GLOBO entrevista na qual afirmou que integrantes do governo Garotinho aliaram-se a empreiteiras para forçar mudanças em projetos estratégicos. Bittar conseguiu evitar sua demissão, mas logo após os petistas romperiam com o governador, que os acusaria de ser "o partido da boquinha".
Élvio, antes de assumir esse cargo, era um dos sócios da Gauche Eventos. A empresa tinha como clientes empresas e organizações, sendo uma delas o Sindicato dos Professores. A Gauche criou, na época, um boneco chamado "Brizolossauro", para atacar a política educacional do então governador Leonel Brizola. Na iniciativa privada, também trabalhou no estaleiro Ishibrás e na Iesa Engenharia.
Fora do governo Garotinho, Élvio não mais deixaria a vida pública, sempre tendo Bittar por perto. Após deixar o governo, voltaria como secretário de Planejamento, Desenvolvimento Econômico e Turismo no governo Benedita (2002). Naquele mesmo ano, doou R$5,2 mil para a campanha de Bittar a deputado federal e R$2 mil para Benedita, que disputava a reeleição. Sua presença era constante no comitê da campanha petista.
Com a derrota eleitoral da governadora, foi nomeado secretário-executivo adjunto de Guido Mantega no Ministério do Planejamento em 2003. Desde então, passou a sustentar a idéia do financiamento público de projetos populares. Élvio iria para o BNDES com Mantega, no ano seguinte, assumindo inicialmente a chefia de gabinete.
Com a substituição na Presidência do banco por Demian Fiocca, Élvio assumiria a direção da área social e de crédito. Na ocasião, tentou indicar, por três vezes, o diretor Financeiro da Fapes, o fundo de pensão do BNDES.
Luciano Coutinho envia mensagem para funcionários
Fechado em copas desde que o BNDES passou a ser alvo de suspeitas da PF, ontem o presidente Luciano Coutinho manifestou-se, através de correio eletrônico distribuído aos funcionários da instituição:
- Estamos absolutamente tranqüilos quanto à eficiência e blindagem dos instrumentos e procedimentos usados pelo BNDES para aprovar seus financiamentos - escreveu o presidente do BNDES.
O prazo médio de tramitação das operações diretas, aquelas superiores a R$10 milhões feitas entre o BNDES e o tomador do empréstimo, gira em torno de 10,6 meses. Esse prazo incluí da apresentação de carta-consulta à aprovação do empréstimo.
O Departamento de Prioridades, vinculado a área de Planejamento, é o primeiro a avaliar o pedido de financiamento. Paralelamente, a solicitação é avaliada pelo Departamento de Risco, que é vinculado a área de Crédito do banco. Só depois de passar por esses dois departamentos é que o pedido é avaliado por um Comitê de Enquadramento de Crédito, composto por todos os superintendentes da instituição. O pedido de financiamento, por fim, segue para uma das áreas operacionais do banco, onde é feita a análise técnica do pedido. Só então, o pedido de financiamento é submetido à apreciação do superintendente e da diretoria, em decisão colegiada