Título: País terá investimentos de boa qualidade
Autor: Batista, Henrique Gomes; Beck, Martha
Fonte: O Globo, 08/05/2008, Economia, p. 37
Mantega diz que não teme ataque especulativo devido a elevação de nota
BRASÍLIA. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foram ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva falar sobre os efeitos que a concessão do grau de investimento pode ter sobre a economia. Segundo Mantega, a avaliação apresentada ao presidente foi positiva. Apesar dos temores do mercado de que a melhora da nota - feita pela agência de classificação de risco Standard & Poor"s no dia 30 de abril - poderia provocar uma enxurrada de dólares especulativos no país, a opinião da equipe econômica é que os recursos que entrarão são destinados a investimentos de longo prazo.
- Fizemos uma avaliação muito positiva do grau de investimento que recebemos no sentido de que o Brasil será objeto de novos investimentos externos de boa qualidade. Não se teme que haja uma invasão de capital de curto prazo, de capital especulativo - disse Mantega.
No encontro, do qual também participaram o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o economista Luiz Gonzaga Beluzzo, também foram fechados os últimos pontos da política industrial, a ser anunciada na próxima segunda-feira.
O ministro voltou a dizer que o Brasil já tinha indicadores econômicos sólidos que faziam com que o mercado tratasse o país como uma economia com grau de investimento antes mesmo da decisão da S&P:
- Na verdade, nós já estávamos com condições de grau de investimento, o que significa que a situação não chega a mudar muito. O Brasil já era considerado pelos investidores estrangeiros, pelos interessados em fazer aplicações sólidas, como um país bastante atraente. O grau de investimento apenas veio confirmar uma situação já existente. O que poderá haver agora é a entrada de fundos de pensão, aqueles mais conservadores que só aplicam nos países com grau de investimento.
Reunião marca encontro entre Mantega e Meirelles
Mantega acrescentou que a crise no mercado internacional afeta a liquidez dos mercados e, portanto, não há muito dinheiro especulativo em circulação que possa provocar uma enxurrada no Brasil.
A reunião de ontem foi o primeiro encontro entre Mantega e Meirelles após o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC ter elevado - para contrariedade da Fazenda - os juros em 0,5 ponto percentual e a obtenção do grau de investimento. A paternidade da boa notícia está sendo disputada dentro do governo e é motivos de ciúmes. O presidente do BC dividiu os holofotes com Mantega na comemoração da notícia.