Título: Garimpeiros voltam a interditar ferrovia da Vale
Autor: Brasiliense, Ronaldo
Fonte: O Globo, 14/05/2008, O País, p. 12
Manifestantes, que apoiaram MST na última invasão da via, mês passado, querem indenização do governo
BELÉM. Cerca de 400 garimpeiros ligados ao Movimento dos Trabalhadores da Mineração (MTM) voltaram a interditar, ontem à tarde, a Estrada de Ferro Carajás, em Parauapebas, sudeste do Pará. A paralisação da ferrovia, por onde a mineradora Vale escoa minério de ferro, causa um prejuízo de US$20 milhões por dia à empresa. O mesmo grupo deu apoio ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na última paralisação da via férrea, no dia 17 de abril. Para burlar ordem judicial que impede atos dos sem-terra contra a Vale, os manifestantes vestiram na ocasião camisas amarelas, cor do MTM.
Ontem, de acordo com a Polícia Militar do Pará, os manifestantes atearam fogo em pneus e jogaram entulhos nos trilhos da ferrovia. Segundo o garimpeiro Eurival Martins, conhecido como Totô, os trabalhadores estão insatisfeitos com as negociações junto ao governo federal. Martins diz que o governo não cumpriu a agenda de reuniões marcada em 17 de abril, quando os garimpeiros interditaram a ferrovia pela última vez.
- Tivemos uma reunião ontem (anteontem) e nenhum representante do governo federal compareceu. Não queremos ficar aqui sem negociação nenhuma - disse Eurival.
Os garimpeiros pedem que a Caixa Econômica Federal efetue o pagamento de compensações referentes às perdas que milhares de garimpeiros tiveram com a venda do ouro do garimpo de Serra Pelada, na década de 80 do século passado.
Vale: "Solução depende das autoridades"
Até as 19h de ontem, a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), não havia se pronunciado sobre a interdição da ferrovia.
Em Parauapebas, cerca de 25 policiais militares estão de prontidão à espera de ordens do secretário de Segurança Pública do Pará, delegado Geraldo Araújo, ao comando geral da Polícia Militar em Belém.
Em nota oficial, a Vale afirma que está "involuntariamente envolvida, há mais de um ano, numa disputa que não lhe diz respeito, leva medo a seus empregados e à população local e interfere nas suas atividades". E completa: "A resolução dessa situação depende unicamente do empenho das autoridades".
A mineradora acusou os invasores de fazer dois de seus funcionários reféns, após interceptar um carro da empresa. "Os dois foram obrigados a deixar o veículo e levados para o acampamento montado pelo MST a cerca de 70 metros da ferrovia desde o início de abril".
Esta foi a 11ª ocupação de instalações da mineradora desde março do ano passado, e a segunda desde que a 41ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio proibiu o MST e seu coordenador nacional, João Pedro Stédile, de "incitar e promover a prática de atos violentos" contra a Vale ou interromper as atividades da mineradora no país, sob pena de multa de R$5 mil.