Título: Plano atual é mais abrangente
Autor: Oliveira, Eliane ; Rodrigues, Luciana
Fonte: O Globo, 13/05/2008, Economia, p. 23
BRASÍLIA e SÃO PAULO. O governo fez uma política industrial mais abrangente e sofisticada do que a anunciada em 2004, com Luiz Fernando Furlan à frente do Ministério do Desenvolvimento. A avaliação é de especialistas, para quem o novo plano - que abrange 24 setores, contra quatro do anterior - traça estratégias específicas, tem uma visão ampla de desenvolvimento e é lançado em melhores condições macroeconômicas.
Reservadamente, diz-se que a primeira política - voltada prioritariamente para as áreas de software, fármacos, semicondutores e bens de capital - era de Furlan, que não era próximo da equipe do BNDES e enfrentava resistências do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Agora, o trabalho foi feito em parceria com o time de Luciano Coutinho no banco e com apoio de Guido Mantega (Fazenda).
O diretor de Estudos Setoriais do Ipea, Marcio Wohlers, diz que a nova política é mais clara:
- A política é mais focada e tem uma dimensão sistêmica, ou seja, o governo tem planos para que cada setor tenha forte impacto na economia.
Na primeira política, o governo projetou implantar uma fábrica de semicondutores no Brasil e reduzir a dependência da importação de fármacos, o que não ocorreu.
- O governo tem agora uma visão sistêmica dos diferentes setores. A política de 2004 andou muito pouco - diz o professor da PUC-SP Antonio Corrêa de Lacerda.
Para Fernando Ribeiro, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), as metas de exportação do plano atual são factíveis, mas não ambiciosas.
Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), diz que o primeiro projeto não era prático. Luiz Albert Neto, da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), recorda que aquele plano não desonerou o setor. (Martha Beck e Ronaldo D"Ercole)