Título: Deputado entrega defesa à Câmara
Autor: Galhardo, Ricardo
Fonte: O Globo, 15/05/2008, O País, p. 13
BRASÍLIA. O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) entregou ontem uma defesa incompleta à Corregedoria da Câmara, certo de que terá de fazer outra quando chegar ao Legislativo o inquérito requerido pelo corregedor Inocêncio Oliveira (PR-PE) à Procuradoria Geral da República. Na defesa, ele pediu o arquivamento do caso, criticou a investigação da Polícia Federal e defendeu mudanças nas regras de grampos telefônicos usados pela polícia para desbaratar o funcionamento de quadrilhas.
O pedetista argumentou que a investigação se baseia em reportagens e em conversas de terceiros que citavam seu nome num suposto esquema de desvio de recursos do BNDES. Paulinho pede que Inocêncio aguarde o inquérito encaminhado pelo Ministério Público de São Paulo ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, antes de decidir.
- Está claro que tudo isso é uma perseguição em relação à minha pessoa - disse Paulinho.
O corregedor descartou arquivamento e considerou a defesa fraca. Disse que a cada dia surge nova denúncia e que terá de apresentar nova defesa.
Paulinho admitiu que é verdadeira a conversa dele com o advogado Ricardo Tosto, conselheiro do BNDES preso pela Operação Santa Teresa. No grampo do dia 27 de abril, ele diz a Tosto que não se afaste do Conselho do banco. O pedetista alega que o sindicalista João Pedro de Moura, apontado pela PF como um dos pivôs do esquema de desvios no BNDES, não é seu assessor e estaria usando seu nome para obter facilidades e vantagens.