Título: Etanol: Brasil espera que UE fixe meta
Autor: Rodrigues, Lino
Fonte: O Globo, 16/05/2008, Economia, p. 32

Bloco deve firmar posição em Lima. Lula ataca críticos do biocombustível

LIMA. O Brasil espera uma posição mais firme dos europeus a respeito da meta, que está prestes a ser fixada pela Comissão Européia, de substituir 10% do consumo de combustível do setor de transporte europeu pelo etanol até 2020. Segundo fontes do governo brasileiro, a sinalização deve sair durante a V Cúpula de chefes de Estado da União Européia (UE), América Latina e Caribe, que acontece hoje, no Peru. Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chegou à capital peruana disposto a vender a bandeira do biocombustível e voltou a criticar os que atacam o etanol.

- As pessoas falam que querem despoluir o planeta, resolver o problema do aquecimento global e, quando o Brasil oferece o combustível não emissor de CO, elas preferem utilizar um combustível que emite CO - disse Lula, ao chegar ao hotel em que ficará hospedado.

Para o presidente, o debate sobre biocombustíveis está apenas começando e a cúpula é uma oportunidade para incluir o tema na agenda internacional. Ele ressaltou a necessidade de uma discussão sobre o assunto "com forte componente científico, sem a questão eminentemente ideológica" e buscou desvincular a atual crise de alimentos da produção de etanol, na tentativa de convencer os europeus a acelerar a fixação da meta de adição de álcool à gasolina.

- Um aceno da União Européia no sentido de aumentar o consumo de etanol seria excelente para o Brasil. Temos o combustível mais barato e mais limpo do mundo - disse o diretor do Departamento de Energia do Ministério das Relações Exteriores, André Lago.

Por enquanto, não há consenso na UE sobre a meta. Um dos entraves é que a oposição ao etanol vem crescendo e o produto tem sido apontado como uma das causas da alta dos preços dos alimentos no mundo.

Lula proporá programa humanitário para o Haiti

Puxada por países como a França, a UE insiste num acordo bilateral sobre o etanol, com rígidas regras ambientais e sociais. A Alemanha também tem se mostrado reticente em relação à meta, "embora tudo seja uma questão de negociação", disse uma fonte da área do Ministério de Minas e Energia.

O governo brasileiro não quer um compromisso de alto nível exclusivamente com a Europa. Defende que o tema seja negociado no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Os debates da cúpula começam na manhã de hoje em torno do tema "Pobreza, Desigualdade e Inclusão". À tarde, as discussões serão focadas em "Desenvolvimento Sustentável: Meio Ambiente; Mudança do Clima e Energia". Neste painel, Lula estará em posição desconfortável, devido à saída da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, conhecida mundialmente.

Está sendo aguardado que Lula e o presidente espanhol José Luiz Zapatero proponham a criação de um programa de assistência humanitária ao Haiti, que compreenderia uma vertente emergencial. Lula também deve sugerir ações para garantir a segurança alimentar.

Paralelamente aos debates, haverá uma reunião entre representantes do Mercosul e da União Européia para debater acordos de livre comércio, cujas negociações estão paralisadas no âmbito da Rodada de Doha, na OMC.