Título: Países do Bric se reúnem na Rússia para influenciar decisões globais
Autor: Rodrigues, Lino
Fonte: O Globo, 16/05/2008, Economia, p. 32
Grupo faz 1º encontro formal e Amorim defende poder maior de emergentes
EKATERINBURG (Rússia). Pela primeira vez desde que o conceito Bric foi criado pelo banco de investimentos Goldman Sachs, Brasil, Rússia, Índia e China vão se reunir formalmente como tal. O encontro que acontece hoje a 1.600 quilômetros de Moscou, na cidade russa de Ekaterinburg, nos Urais, marca a tentativa desses quatro países de reafirmar a sua importância no contexto mundial. A agenda inclui de segurança alimentar a biocombustíveis e energia, passando pelas tendências das finanças globais, não proliferação e desarmamento, além de terrorismo e mudança climática.
A idéia é que, a partir de agora, o grupo passe a se reunir com freqüência para tratar as questões mundiais e influencie as decisões globais. Neste momento, está em análise a proposta brasileira de um encontro dos ministros de Fazenda dos quatro países nos próximos meses no Brasil. Para o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, juntos, os Brics terão um peso maior:
- É a primeira vez que estão reunidos num grupo formal estes quatro países que representam 25% do território mundial e quase metade da população do planeta. Estes países têm tremenda importância econômica e, seguramente, terão ainda mais nos próximos 50 anos.
Brics defendem reformas em órgãos multilaterais
Os Brics defendem um cenário internacional baseado no multilateralismo e no direito internacional. Querem ampliar a participação dos países em desenvolvimento nas decisões globais. O documento final da reunião, que será divulgado hoje, deve defender, entre outras coisas, reformas em organizações multilaterais. Os países em desenvolvimento alegam que as posições de EUA e Europa prevalecem - como na escolha dos líderes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird) - e não consideram o peso de outras nações importantes no contexto global.
- O conceito Bric engloba os principais centros de crescimento econômico - lembrou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Bóris Malakhov.
Amorim destaca que a crise financeira nos EUA poderia ter tido conseqüências mais graves não fosse o crescimento dos quatro países:
- Eles evitaram que a recessão se expandisse pelo mundo, contaminando outros países - disse Amorim.