Título: Estamos mudando a organização do mundo
Autor: Oswald , Vivian
Fonte: O Globo, 17/05/2008, Economia, p. 40
EKATERIMBURG, Rússia. Para o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a reunião do chamado Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) é a prova de que os quatro países finalmente se convenceram de sua importância global.
Que sinal o grupo Bric dá ao resto do mundo ao se reunir pela primeira vez?
CELSO AMORIM: Juntos, esses países têm quase a metade da população, 20% do território e 15% do PIB mundial, e ajudam a manter a economia global viva neste momento de crise. Filosoficamente falando, os quatro eram uma realidade em si, e agora são uma realidade para si. Ou seja, tomaram consciência de sua existência como um grupo de parceiros fortes e importantes. Demos início a um processo a partir do qual estamos mudando a maneira como o mundo é organizado.
Especialistas questionam como países tão diferentes podem ter pontos em comum.
AMORIM: É isso que torna o grupo ainda mais interessante. A importância do Bric no mundo quase nos obriga a nos coordenar em benefício de nós mesmos, dos países em desenvolvimento. Em muitos temas, os quatro são complementares. O Brasil é um grande produtor de alimentos, por exemplo, e os outros três, grandes compradores.
O Brasil conseguiu colocar no documento conjunto o destaque à produção de biocombustíveis. Como o grupo vê o tema?
AMORIM: Não há uma visão preconceituosa. Nesse assunto, há sempre alguém procurando culpados ou um bode expiatório. Não aqui. Existe um grande terreno para o trabalho conjunto. A Índia, por exemplo, tem grande potencial para a produção a partir da cana.
Fala-se na criação de uma instituição financeira comum, com recursos das reservas internacionais do Bric. Isso é viável?
AMORIM: Essa é uma idéia muito boa. (Vivian Oswald, enviada especial)