Título: Moraes jogado para escanteio
Autor: Pariz, Tiago
Fonte: Correio Braziliense, 11/05/2009, Política, p. 3

Relator do caso Edmar Moreira que disse estar se lixando para a opinião pública deve ser substituído por outro colega no Conselho de Ética. Petebista afirma que deputado do castelo não fez nada de errado

Sérgio Moraes (E), ao lado de José Carlos Araújo, garante: ¿Não vou sair, vou fazer meu relatório¿ O presidente do Conselho de Ética, deputado José Carlos Araújo (PR-BA), decidiu dissolver a comissão de sindicância formada para investigar Edmar Moreira (sem partido-MG), o dono do castelo milionário no interior de Minas Gerais, e retirar da relatoria o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), aquele que se lixa para a opinião pública.

Como os outros dois integrantes da comissão de sindicância, Hugo Leal (PSC-RJ) e Ruy Pauletti (PSDB-RS), recusaram ocupar a vaga de Moraes, Araújo quer um substituto com perfil ¿independente¿. Ele adiantou o desejo de convidar o deputado Moreira Mendes (PPS-RO), mas ainda não formalizou o pedido. Mendes adiantou não ver nenhum impedimento de ocupar a relatoria para investigar Edmar Moreira.

¿O Conselho e a Câmara estão sendo alvos de um tiroteio que não interessa a ninguém. Temos que parar com isso. Achei por bem dissolver essa comissão e deixar na mão de um relator que deve ser o Moreira Mendes¿, destacou o presidente do colegiado.

Defensor da saída de Moraes, Hugo Leal alegou estar sobrecarregado com o trabalho de outras duas comissões. Rui Pauletti, conterrâneo do petebista, disse preferir ser coadjuvante na investigação e rejeitou a destituição do relator. A formalização de todas as movimentações está prevista para a amanhã em reunião do colegiado. A deputada Solange Amaral (DEM-RJ) será a porta-voz do pedido de saída de Moraes.

Antes de decidir dissolver a comissão de sindicância, José Carlos Araújo estava disposto a manter o petebista no trio de investigadores, mas a recusa de Leal e Pauletti o forçou a jogar Moraes para escanteio. O petebista insiste em manter a relatoria do caso e rejeitou ¿acusações¿ de que já antecipou a intenção de arquivar a denúncia contra Edmar Moreira, acusado de utilizar a maior parte da verba indenizatória para injetar dinheiro em duas de suas empresas de segurança privada convalescidas financeiramente.

Desafio ¿Vou ser o primeiro a chegar à reunião. Não vou sair, vou fazer meu relatório. Desafio a provarem que eu tenha antecipado meu voto¿, afirmou o parlamentar gaúcho. Em conversa com jornalistas antes de iniciar as investigações e aprovar o plano de trabalho, Moraes fez um verdadeiro libelo em defesa de Moreira. Afirmou que o colega já pagou um preço muito alto e que não havia nenhuma regra proibindo o uso da verba indenizatória nas próprias empresas. Foi além, desclassificou o trabalho da Corregedoria da Câmara. Nas conclusões, o órgão sugeriu a cassação do mandato por Edmar não ter conseguido provar a realização dos serviços que supostamente teriam sido pagos com o dinheiro público. Irritado, o corregedor Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA) foi o primeiro a defender publicamente a destituição do relator alegando falta de isenção.

Segundo José Carlos Araújo, a maioria do Conselho é favorável à saída de Sérgio Moraes não só por ter antecipado sua linha de investigação, mas por ter dito que está se ¿lixando para a opinião pública¿ porque os veículos de comunicação ¿batem, batem e mesmo assim, a gente continua se reelegendo¿. Não bastasse isso, há uma suspeita sobre o uso irregular de verba indenizatória pelo próprio relator. Moraes pagou, em abril, R$ 2,5 mil para Guilherme Valentini, que o defende em processos no Supremo Tribunal Federal. O valor está sob a rubrica de aluguel de imóveis. Ele alega que paga pelo uso de uma sala no escritório de Valentini.

-------------------------------------------------------------------------------- O que ele disse

¿Estou me lixando para a opinião pública. Vocês batem, batem, e nós nos reelegemos mesmo assim¿ Sérgio Moraes, ao ser perguntado sobre o processo contra o deputado Edmar Moreira (sem partido-MG)

¿Eu prefiro apanhar em pé do que a ser acariciado ajoelhado¿ Na tribuna, ao reagir às críticas após dizer se lixar para a opinião pública

¿Eu não sei se o conselho (de Ética) é isento ou não, mas ele julga colegas. É muito desconfortável. O ideal era ir direto para o STF¿ Ao defender a extinção do Conselho quanto presidia o Conselho de Ética no ano passado