Título: PF convocará mulher de Paulinho para depor
Autor: Galhardo, Ricardo
Fonte: O Globo, 16/05/2008, O País, p. 13

Elza Pereira preside ONG que recebeu R$87,5 mil de lobista suspeito de fraudar empréstimos no BNDES

Ricardo Galhardo

SÃO PAULO e BRASÍLIA. A Polícia Federal vai convocar Elza de Fátima Costa Pereira, mulher do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), para prestar depoimento na investigação Santa Teresa - que apura fraudes em empréstimos no BNDES. A PF quer saber se Elza usou a ONG Meu Guri, da qual é presidente, para lavar dinheiro da quadrilha investigada na Operação Santa Teresa por cobrança de propinas para intermediar empréstimos junto ao BNDES.

Segundo documentos apreendidos pela PF, a ONG comandada por Elza recebeu um depósito de R$87,5 mil do lobista João Pedro de Moura, consultor da Força Sindical preso desde o dia 24 sob a acusação de integrar a quadrilha que agia no BNDES.

O banco estatal repassou R$1,328 milhão à entidade, segundo o deputado. A PF quer esclarecer também a compra de uma casa de praia por R$220 mil, à vista, sendo que pelo menos R$40 mil foram em dinheiro vivo, no luxuoso condomínio de Riviera de São Lourenço, em Bertioga, litoral paulista.

Em conversas interceptadas pela PF, integrantes da quadrilha dizem que João Pedro de Moura, amigo de Paulinho há mais de uma década, pretendia cadastrar uma ONG junto ao Ministério do Trabalho para receber verbas federais. O responsável pela pasta é Carlos Lupi, do PDT, assim como o deputado.

Advogado de deputado nega irregularidades

O delegado Rodrigo Levin, que comanda a operação, espera o resultado da quebra do sigilo bancário do Meu Guri para marcar a data do depoimento da mulher de Paulinho.

O advogado de Paulinho, Antonio Rosella, negou qualquer irregularidade cometida por Elza. Segundo ele, os R$87,5 mil depositados por João Pedro são resultado de um negócio envolvendo um imóvel.

-Todos os documentos estão à disposição da Justiça e da imprensa- disse Rosella.

De acordo com o advogado, as declarações de Imposto de Renda de Elza mostram que ela tinha dinheiro suficiente para comprar a casa na praia.

Embora seja citado diversas vezes nas interceptações telefônicas feitas pela PF, Paulinho não é formalmente investigado por ter direito a foro especial. Cópias do inquérito foram remetidas ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em Brasília, a ministra Ellen Gracie Northfleet, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido de foro especial feito pelo advogado Ricardo Tosto, investigado na Operação Santa Teresa. Tosto, ex-integrante do Conselho de Administração do BNDES, queria ser julgado pelo Supremo, mas a ministra esclareceu que ele não ocupa cargo que lhe dê esse direito. Atualmente, Tosto é investigado pela Justiça Federal em São Paulo, onde foi aberta uma ação penal para apurar o caso.

Segundo a Constituição, parlamentares, ministros de Estado e o presidente da República podem ser julgados pelo STF.

Tosto fez o pedido porque a Operação Santa Teresa também chegou ao nome do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). O inquérito foi remetido ao procurador-geral da República, para que ele decida se quer abrir investigação sobre Paulinho.

COLABOROU Carolina Brígido