Título: Ministro volta a defender que haja julgamento
Autor: Moreno, Jorge Bastos
Fonte: O Globo, 18/05/2008, O país, p. 16

Delitos praticados na ditadura precisam ser reconhecidos, diz

BRASÍLIA. Ao reafirmar a tese de que deve haver julgamentos para torturadores, o ministro da Justiça, Tarso Genro, procura pôr a questão dentro dos parâmetros jurídicos:

- Penso que, em relação a essa questão da tortura, não é preciso fazer nenhuma revisão na Lei da Anistia. Basta interpretar juridicamente a situação, como estão fazendo os agentes do Ministério Público.

Para Tarso Genro, a anistia incide justamente sobre condenações. E, no caso dos torturadores da ditadura, seus crimes não foram sequer reconhecidos pelo regime.

- As pessoas que cometeram ações violentas contra o regime autoritário foram presas, julgadas e condenadas. Outras foram mortas sem julgamento. A anistia para os opositores do regime incidiu sobre esses delitos, conhecidos, expostos publicamente, logo de conhecimento total da sociedade. Tal não ocorreu com quem torturou, porque o próprio regime, cujas leis condenavam a tortura, não reconheceu que ela ocorrera - disse Tarso Genro. (Jorge Bastos Moreno)