Título: Só levando na brincadeira, diz Skaf
Autor: Jungblut, Cristiane
Fonte: O Globo, 19/05/2008, O País, p. 4
Empresários criticam recriação da CPMF.
LIMA, Peru. A possibilidade de o governo recriar a CPMF já provoca protestos entre os empresários brasileiros. Dois deles, que faziam parte do grupo de empresários que acompanhava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua visita ao presidente do Peru, Alan García, deram seu recado.
- A sociedade não admite mais aumento de impostos. A CPMF foi enterrada no dia 31 de dezembro de 2007. Só mesmo levando na brincadeira. Esse assunto é página virada - disse o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.
O diretor-presidente da Braskem, José Carlos Gnubisich, disse que qualquer tentativa de aumentar a arrecadação é "contraproducente e um retrocesso".
Para eles, o governo pode contar com a reforma tributária para acertar contas e corrigir distorções. Skaf disse que os aumentos da arrecadação federal estão levando o governo a reduzir impostos, o que não justificaria a recriação da CPMF.
- Temos muito o que fazer para a economia crescer. Temos a política industrial, o PAC e própria reforma tributária - disse Skaf.
O dirigente da Fiesp foi um dos mais ativos para convencer os senadores a derrubar a CPMF. Ele lembrou disso dizendo que trabalhou por seis meses pela revogação da contribuição.
Para Ives Gandra Martins, especialista em direito tributário, a proposta de recriar a CPMF é absurda:
- De 193 países, só um possui uma coisa dessas. O governo nem precisa disso pois está batendo seguidos recordes de arrecadação.
Segundo ele, se a contribuição de 0,08% sobre movimentações for aprovada, a pressão sobre a inflação deve aumentar.
- O imposto é repassado para os preços e isso causa inflação. Dizem que o preço dos alimentos é o vilão inflacionário. A verdade é que parte da inflação brasileira tem origem tributária. O governo tributa para compensar o excesso de gastos.
COLABOROU Ricardo Galhardo