Título: Prazo de 24 horas para prender assassinos
Autor: Kopschitz, Isabel ; Caballero, Miguel
Fonte: O Globo, 19/05/2008, Rio, p. 9
Governador em exercício diz que investigadores estão seguindo pistas e poderão chegar rapidamente aos bandidos.
Ana Carolina Tosto e Zean Bravo
O assassinato do delegado Alcides Iantorno repercutiu entre autoridades e policiais, que garantiram uma mobilização imediata para solucionar o crime. Com o governador Sérgio Cabral em Paris, o governador em exercício, Luiz Fernando Pezão, classificou a execução como sendo ¿uma guerra¿ e garantiu que os criminosos serão encontrados e punidos da forma mais rápida possível. A primeira providência de Pezão foi entrar em contato com o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, que preferiu não se pronunciar sobre o caso, alegando que a investigação está em curso.
¿ Eu conversei com o Beltrame sobre o caso, e os investigadores estão seguindo diversas pistas. Eles acreditam que no máximo em 24 horas pegarão os dois assassinos ¿ afirmou Pezão. ¿ O governo do estado colocou a Polícia Civil e a Polícia Militar toda na rua para descobrir onde estão os assassinos. Esse combate não pára. Sabemos que, enquanto tentamos enfrentar os bandidos e apreender armamento, eles vão continuar atacando os nossos policiais, mas não vamos desanimar.
Apesar de o secretário não ter se pronunciado sobre o caso, Pezão adiantou que Beltrame está seguindo duas linhas de investigação, sem revelar quais são.
¿ O Beltrame não vai se pronunciar enquanto não sair o resultado do laudo pericial ¿ explicou Pezão, dizendo que ainda era cedo para confirmar o envolvimento de alguma milícia no crime. ¿ A polícia ainda está investigando o caso.
`Casos como esse servem para intimidar a polícia¿
Delegado adjunto da Divisão Anti-Seqüestro (DAS), Alexandre Netto lamentou a morte de Alcides Iantorno. Netto foi baleado em setembro do ano passado, na porta de sua casa, em Copacabana.
¿ O que mais nos revolta é que casos como esse e o meu servem para intimidar a polícia. Estamos chegando ao patamar mais alto da impunidade ¿ disse Netto, acrescentando que as investigações não devem descartar qualquer hipótese. ¿ Todas elas devem ser checadas. Além das milícias, o crime pode ter ligação com o bingo da Rua Maxwell (em Vila Isabel), que o Alcides fechou e voltou a funcionar mesmo assim.
O delegado foi enfático em suas suspeitas:
¿ Alcides foi assassinado ou porque cumpriu bem o seu dever ou porque desagradou a alguém. Isso pode ter o dedo da Polícia Militar. Quem faz isso tem certeza da impunidade, sabe que nada vai acontecer.
Para o presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Rio de Janeiro (Adepol), Wladimir Sérgio Reale, a execução de Alcides Iantorno tem uma repercussão bastante negativa na polícia.
¿ É lamentável termos mais uma pessoa assassinada por razões profissionais. O delegado Alcides prestou um grande serviço no combate à criminalidade. É claro que um crime como esse repercute sempre de forma a gerar apreensão entre nós.
Rubem César: sentimento de impunidade prevalece
De acordo com o coordenador do movimento Viva Rio, Rubem César Fernandes, o sentimento que prevalece após um crime como esse é o de impunidade.
¿ Principalmente se os criminosos forem mesmo milicianos, que agem como se fossem um governo paralelo. Isso é gravíssimo, uma afronta ¿ afirmou Rubem, indignado. ¿ Geralmente, um bandido comum costuma agir de forma mais escondida, não executa ninguém dessa forma.
O presidente da Associação dos Tribunais de Justiça do Brasil, Marcos Faver, acredita no envolvimento de milícias no crime.
¿ Infelizmente, existe no Rio um poder paralelo que pratica verdadeiras barbaridades. O que mais chama a atenção em casos como esse é a falta de temor dos criminosos diante das autoridades ¿ disse.