Título: Lula: inflação é mal muito grande para o país
Autor: Damé, Luiza
Fonte: O Globo, 20/05/2008, Economia, p. 23
Presidente diz que é "obrigação de todo brasileiro cuidar para que ela não aconteça" e promete manter índice na meta
BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a inflação é um "mal muito grande" para o país, com impacto na economia e nos salários. Lula aproveitou o programa semanal de rádio "Café com o presidente" para convocar a população brasileira a ajudar no controle da inflação, mas disse que o governo vai se esforçar para manter o custo de vida sob controle:
- A inflação é uma obrigação de todo brasileiro cuidar para que ela não aconteça. É do trabalhador que compra, da dona de casa que compra, do empresário que produz, do atacadista que vende, do varejista e do governo. Todos precisam se preocupar com a inflação, porque ela é um mal muito grande para o país e para as pessoas que vivem de salário.
O presidente disse que o governo vai se esforçar para manter a inflação dentro da meta estabelecida, de 4,5%. E voltou a dizer que a aceleração dos reajustes se deve ao aumento da procura por alimentos, um fenômeno mundial. Lula afirmou que o Brasil não precisa se preocupar com isso, porque tem terra e água para plantar mais. Mas admitiu que o país não tem controle sobre os preços de itens importados, como o trigo.
Lula disse ainda que o Brasil tem de manter o equilíbrio entre a sua capacidade de produzir e o crescimento da demanda - mesmo discurso do Banco Central (BC):
- Se a disposição de comprar for maior do que a capacidade de produzir, nós vamos ter inflação. Eu estou convencido de que vamos controlar a inflação. O governo está atento, e vamos trabalhar para que o Brasil cresça.
Para o mercado financeiro, o cenário de inflação piorou: segundo a pesquisa do Focus, o IPCA deve fechar o ano em 5,12%, contra 4,96% da semana anterior, bem acima do centro da meta, de 4,5%. É a oitava elevação consecutiva das projeções. Para 2009, a estimativa passou de 4,47% para 4,5%.
Mas a previsão de crescimento também cresceu: de 4,66% para 4,69%. Para 2009, manteve-se em 4%. Já o dólar deve fechar este ano a R$1,70.
Já a balança comercial, apesar de ter registrado a maior corrente de comércio semanal na história (US$9,666 bilhões), teve superávit de apenas US$902 milhões na terceira semana de maio, com exportações de US$5,294 bilhões e importações de US$4,372 bilhões. No ano, o acumulado é de US$6,799 bilhões, 56,4% abaixo do mesmo período de 2007 (US$15,609 bilhões).
COLABOROU Henrique Gomes Batista