Título: Preço de alimento e etanol levam terras agrícolas no Brasil a recorde
Autor: Novo, Aguinaldo; Figueiredo, Janaína
Fonte: O Globo, 20/05/2008, Economia, p. 24

Governo da Argentina libera a venda de trigo para o mercado brasileiro

SÃO PAULO e BUENOS AIRES. O preço das terras destinadas à agropecuária no Brasil alcançou novo recorde histórico no bimestre março-abril, com a média de R$4.135 por hectare. Em algumas localidades do Paraná, maior produtor de grãos do país, houve negócios por valores superiores a R$30 mil o hectare. A procura por terra é liderada por grandes grupos empresariais e também por estrangeiros, que já são donos no Brasil de cerca de 5,5 milhões de hectares - equivalente à área plantada de cana-de-açúcar.

Segundo a AgraFNP, divisão no Brasil da consultoria multinacional Agra Informa, o preço do hectare acumulou aumento nominal médio de 16,3% em relação ao primeiro bimestre do ano passado e de 35,2% em comparação às cifras de 2005. Até então, o recorde era de R$3.364, registrado no fim do primeiro semestre de 2004, quando os produtores disputavam áreas para aproveitar a explosão de preços internacionais da soja.

Por trás do novo recorde, está outra vez a valorização dos grãos nos mercados externos e interno, diante da baixa de estoques mundiais de alimentos. Áreas para o plantio de cana e produção de biocombustíveis também são disputadas, segundo a AgraFNP. Pela primeira vez desde o início de 2007, o preço médio no Sul do Brasil superou o custo das propriedades no Sudeste. O preço médio do hectare no Sul subiu para R$7.737, enquanto o valor da terra no Sudeste foi estimado pela consultoria em R$7.450, em média.

Segundo a analista Jacqueline Bierhals, o Brasil é um mercado em destaque já que ainda dispõe de vastas áreas livres para plantio. Sem considerar a Região Amazônica e reservas indígenas, o país tem cerca de 100 milhões de hectares disponíveis para a agropecuária.

Setor agropecuário argentino suspende greve

Já o governo argentino liberou ontem o envio de 100 mil toneladas de trigo para o mercado brasileiro. Segundo o Departamento Nacional de Controle Agropecuário (ONCCA), encarregado de autorizar as vendas do produto ao exterior, a resolução 94 beneficia exclusivamente o Brasil.

- A medida foi adotada somente para o mercado brasileiro, em função de contratos que já estavam assinados - disseram fontes da ONCCA, acrescentando que os exportadores argentinos deverão respeitar um teto de duas mil toneladas diárias por produtor.

O Brasil foi um dos países mais prejudicados pela decisão do governo argentino de restringir, desde o fim do ano passado, as vendas de trigo ao exterior, para conter a inflação.

Depois de duas semanas, o setor agropecuário argentino decidiu suspender amanhã sua paralisação, motivada pela alta do imposto sobre exportação, para negociar com o governo.