Título: Lula quer limitar ação de ministros na campanha
Autor: Damé, Luiza
Fonte: O Globo, 20/05/2008, O País, p. 9

Regras serviriam para evitar desgastes na base aliada e conter exposição nacional de eventuais presidenciáveis

Luiza Damé

BRASÍLIA. Na tentativa de evitar a desagregação da base aliada por conta das eleições municipais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai convocar uma reunião ministerial para estabelecer regras de conduta do governo durante a campanha. Além de definir procedimentos para os ministros que vão disputar as eleições, Lula quer limitar a participação dos demais auxiliares nos palanques eleitorais. A tendência é que os ministros só possam participar das campanhas em seus estados, evitando uma nacionalização das eleições, com a circulação de eventuais candidatos para 2010.

Essa regra atingiria inclusive a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, nome cotado no governo para disputar a sucessão de Lula. O tema começou a ser discutido ontem, na reunião de coordenação de governo, mas Lula preferiu ampliar o debate, incluindo os demais ministros. Da coordenação participam apenas os ministros da Casa Civil; da Fazenda, Guido Mantega; da Justiça, Tarso Genro; da Secretaria Geral, Luiz Dulci; do Planejamento, Paulo Bernardo; das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, e da Secretaria de Comunicação, Franklin Martins, além do vice José Alencar.

- Precisamos ter um cuidado muito grande, porque o governo tem 14 partidos, e precisamos respeitar essa posição. O nosso grande problema não é 2010, mas outubro de 2008. Até 2010, temos muito tempo para fazer os reparos e curar as cicatrizes. Acontece que a gente precisa entender que os ministros políticos, deputados e senadores, têm participação em seus estados - disse Múcio.

Para ele, os ministros só poderão participar das campanhas em seus estados. Múcio disse que o assunto voltará à discussão na coordenação de governo, provavelmente na próxima semana, antes de ser levado a todos os ministros:

- Temos de respeitar o fato de que cada ministro tem sua base, e ver como se participa sem comprometer o bom entendimento que vivemos no Senado e na Câmara.

O presidente incumbiu seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, de organizar a reunião.