Título: Cerca de 200 prefeituras sob suspeita
Autor: Farah, Tatiana; Galhardo, Ricardo
Fonte: O Globo, 23/05/2008, O País, p. 3
No fim do mês passado, a Polícia Federal deflagrou operação para desmontar um esquema de corrupção envolvendo liberação de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo as investigações da PF, pelo menos 200 prefeituras podem ter sido beneficiadas. Entre os municípios está o de Praia Grande, no litoral de São Paulo.
Com base em escutas telefônicas autorizadas pela Justiça Federal, os policiais encontraram indícios de que um grupo de pessoas ligadas à Força Sindical e ao deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, teria intermediado a liberação de recursos do banco de desenvolvimento.
Relatório da PF enviado à Justiça chega a dizer que Paulinho teria recebido R$325 mil supostamente para intermediar um empréstimo de R$124 milhões do BNDES para a prefeitura de Praia Grande.
Segundo os policiais, um dos integrantes do esquema sob investigação é o advogado Ricardo Tosto, indicado pela Força Sindical para o Conselho de Administração do BNDES. Também está na mira da PF João Pedro de Moura, amigo de Paulinho. Os dois foram presos quando a PF deflagrou a chamada Operação Santa Teresa.
Os indícios de envolvimento de Paulinho nas investigações levaram a PF e o Ministério Público a encaminhar parte do inquérito para ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Como é deputado federal, Paulinho tem direito a foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal, onde atua o procurador-geral. Antonio Fernando já está analisando o caso, mas ainda não se pronunciou. A partir da divulgação de conversas telefônicas e documentos que citam o deputado, a Corregedoria da Câmara abriu procedimento para também investigar o caso.
Nas investigações, a PF descobriu que parte do esquema contava com a participação da empresa W.E., na verdade uma casa de prostituição suspeita de ser usada para lavar dinheiro. A empresa pagou passagens aéreas para pessoas ligadas ao esquema. Entre elas o prefeito de Praia Grande. Paulinho, que não está indiciado no inquérito, nega envolvimento no esquema.