Título: Para Lula, inflação brasileira não é uma coisa apenas do governo
Autor: Menezes, Maiá
Fonte: O Globo, 27/05/2008, Economia, p. 20

Presidente diz que consumo maior de alimentos no mundo favorece o país

Às voltas com o fantasma da inflação, o presidente Lula eximiu ontem o governo de responsabilidade por um eventual retorno da alta de preços. Ele cobrou do Congresso a reforma tributária para este ano e disse que a economia brasileira vem trilhando o caminho certo em direção do crescimento sustentável.

- A questão da inflação não é uma coisa apenas do governo. Eu jamais iria pedir para alguém ser fiscal de inflação. Mas a verdade é que todos nós temos um pouco de responsabilidade. Sabemos onde ela está, sabemos como ela vem e, portanto, a responsabilidade é de todos nós para a inflação não voltar mais, porque quem perde com isso são os pobres deste país - afirmou Lula, durante a abertura do XX Fórum Nacional.

Inflação pelo IPC-S sobe 0,72% com alta de alimentos

Lula disse ainda que a geografia econômica mundial mudou e que os países em desenvolvimento estão crescendo "em ritmo mais vigoroso" do que as economias tradicionais:

- Com isso, o elevador social começa a funcionar. Neste novo mundo, os mais pobres estão comendo o que antes não podiam comer. Pode não ser do bom e do melhor, mas, para muitos, já vai ficando no retrovisor a angústia de não ter o que comer no dia seguinte. Hoje, há mais chineses, indianos, africanos, latino-americanos comendo. Há mais brasileiros comendo também, o que é muito bom e, felizmente, não tem volta.

Lula criticou os que se preocupam com a explosão do consumo de alimentos no mundo.

- Alguns se assustam com esse fenômeno, o Brasil não. Temos terras férteis, temos sol, temos água, temos tecnologia, temos força de trabalho, temos capacidade empresarial e agricultura familiar para responder a esse desafio. Volto a dizer: não estamos diante de um risco, mas de uma oportunidade, e não pretendemos desperdiçá-la.

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), divulgado ontem pela Fundação Getulio Vargas, subiu 0,72% na terceira medição de abril, com pequena alta em relação à prévia anterior (0,70%). A variação foi puxada pelos preços dos alimentos, que passaram de 1,81% para 1,87%.