Título: Polícia investiga rede de pedofilia em São Paulo
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Fonte: O Globo, 31/05/2008, O País, p. 10

Conversas telefônicas grampeadas ajudaram a identificar suspeitos

SÃO PAULO. Uma investigação da polícia de São Paulo sobre uma rede de pedofilia provocou a prisão do operador de telemarketing Márcio Aurélio Toledo, que agiria em conjunto com o tenente da Polícia Militar Fernando Neves Braz. Durante a operação, enquanto os policiais da Corregedoria faziam buscas em sua casa, Braz se matou.

A Justiça concedeu mandados de busca e apreensão para o quartel onde trabalhava o oficial, para a casa dele e também para a residência dos pais do PM, em Penápolis, onde foi apreendido o carro do policial. No quartel, foram encontrados disquetes e CDs.

Depois, Braz acompanhou os policiais até sua casa. Entrou. Disse que sua mulher estava em trajes íntimos e pediu para que a maioria dos policiais esperassem. O tenente André Luiz Paschoalim e o delegado Ricardo Guanaes entraram atrás de Braz, que, de súbito, pegou uma pistola calibre 40 da cômoda do quarto e apontou na direção dos dois que o acompanhavam. Depois, entrou no banheiro e se matou com tiro na cabeça.

Comandante da Força Tática do 5º Batalhão, na Zona Norte, Braz ficou conhecido recentemente por chefiar as buscas a um suposto assaltante apontado por Alexandre Nardoni como autor do assassinato de sua filha Isabella Nardoni, de 5 anos. A menina foi atirada pela janela do sexto andar do edifício London, na Vila Isolina Mazzei, em 29 de março.

Braz teve conversas telefônicas interceptadas pela equipe de inteligência da polícia. O monitoramento, feito com autorização judicial, registrava conversas do oficial com o operador de telemarketing Márcio Aurélio Toledo. Segundo a polícia, os dois mantinham relacionamento homossexual e Toledo ofereceu ao policial militar a chance de manter relações com uma menina de 9 anos.

Investigando Toledo, a polícia identificou o carro de Braz. A polícia ainda apreendeu na casa do policial um computador e um notebook.