Título: Não vou assumir a paternidade
Autor: Novo, Aguinaldo; Schreiber, Mariana
Fonte: O Globo, 31/05/2008, Economia, p. 34

SÃO PAULO. Embora negue que tenha apresentado a idéia ao governo, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, da Unicamp, considerou positiva a criação do fundo soberano nos moldes divulgados ontem. O fundo, disse, vai aliviar a pressão da inflação sobre a política monetária.

Que avaliação o senhor faz do fundo apresentado por Mantega?

LUIZ GONZAGA BELLUZZO: O Brasil sofreu com o choque nos preços das commodities, e não se pode deixar que a inflação se espalhe. Neste momento, é correto o que o ministro disse, que o fundo tem que ter mais uma função fiscal para aumentar o superávit. Com isso, já cumpre também sua função anticíclica, evitando que a demanda cresça demais.

Ter reservas em reais não distancia o modelo do fundo brasileiro do conceito que caracteriza essas instituições pelo mundo?

BELLUZZO: Estudei os fundos de diversos países, e não há nenhum cânone aí. Cada um tem funções diferentes. Não acho a idéia (de usar reais) ruim, não.

Muitos economistas dizem que usar o dinheiro do fundo para abater dívida seria mais eficaz. O senhor concorda?

BELLUZZO: Quando se aumenta o superávit se faz uma punção nos recursos da economia, se subtrai liquidez do sistema bancário e isso evita que a dívida se expanda. No fundo, tem efeito similar ao abatimento da dívida

Atribui-se ao senhor ter apresentado a idéia do fundo soberano ao presidente Lula. É verdade?

BELLUZZO: A idéia do fundo não é minha. Não vou assumir a paternidade. Foi o Ministério da Fazenda.