Título: Dilma: acusações são fogo inimigo
Autor: Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 07/06/2008, Economia, p. 33
BRASÍLIA e RIO. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou ontem acreditar que as denúncias de que pressionou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a passar por cima da legislação e aprovar a venda da Varig à Volo (do chinês Lap Chan e de três empresários brasileiros), em 2006, são "fogo inimigo" e seguem a mesma lógica do caso do dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Com isso, ela tornou pública pela primeira vez a teoria do Palácio do Planalto e do PT de que a ex-diretora da agência Denise Abreu está sendo orientada pela oposição.
Em entrevista à Rádio Gaúcha, Dilma, mais uma vez, negou as acusações. Defendeu que a única intervenção do governo no caso Varig foi adequar a Lei de Falências, pois, caso contrário, "realmente ela ia se esfacelar".
- Acho que está cada vez mais evidente que o fogo é inimigo - afirmou a ministra, ao ser perguntada sobre o fato de as acusações sobre o dossiê e a Varig terem saído de pessoas ligadas ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. - Os documentos relativos ao banco de dados que saíram daqui não chegaram às mãos da imprensa por meio do funcionário que entregou os dados. Brasília inteira sabe quem foi, e não foi de fogo amigo - afirmou ela, referindo-se a André Eduardo Fernandes, assessor legislativo do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), acusado de passar o dossiê à imprensa.
Sobre Denise, Dilma disse que não sabe as razões que a levaram a acusar a ministra.
- Não tenho a menor idéia (do porquê das acusações). As declarações são falsas. É público e notório que o processo da Varig se deu no âmbito da Justiça, com a nova Lei de Falências... É estranho que alguém tenha a decisão e alegue que o governo, ou a Casa Civil, obrigou essa decisão. Há que provar.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, defendeu Dilma.
- Ela é uma pessoa obsessiva em relação à legalidade em tudo que faz. Concordo com as análises de que a ministra, pela competência que tem, por ter sido indicada a ser a gerente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), vira alvo político.