Título: Grampos revelam que autoridades recebiam dinheiro
Autor: Damasceno, Natanael; Araújo, Vera
Fonte: O Globo, 09/06/2008, Rio, p. 8
Escutas fazem parte de investigação sobre ex-secretário de Garotinho.
Os grampos relacionados ao inquérito que apura a suspeita de envolvimento do ex-secretário de Defesa Civil coronel bombeiro Paulo Gomes Santos Filho no assassinato do sargento bombeiro Rosival de Souza Júnior, revelam o envio de grandes somas em dinheiro para políticos e autoridades. As "malas" eram entregues por bombeiros que trabalhavam numa empresa, segundo o Ministério Público estadual, ligada ao oficial. Na ação trabalhista que movia contra a firma, o sargento Rosival -- assassinado cinco dias antes da audiência, em 18 de janeiro de 2006, no Alto da Boa Vista -- afirmou que levava malas com dinheiro a órgãos do governo do estado, entre eles o Detran.
Oficial tinha informações sobre a investigação
Escutas mostram pessoas ligadas ao esquema supostamente chefiado por Paulo Gomes, secretário no governo Anthony Garotinho, segundo o inquérito, tratando da compra de munições e armas e da entrega de dinheiro em órgão estaduais. Conforme O GLOBO noticiou ontem, o inquérito indica ainda que o oficial tinha acesso a informações relacionadas à investigação. O documento sugere que o ex-secretário teria contado com o auxílio dos ex-chefes de Polícia Civil, Álvaro Lins e Ricardo Hallak, para transferir a investigação da 19ª DP (Tijuca) à Delegacia de Homicídios, onde mantinha ligação com policiais.
A influência política do coronel é confirmada em ofício pelo delegado da 19ª DP, Walter Alves de Oliveira. Em ofício, ele defende que o ex-secretário não seja ouvido na unidade. Diante do despacho do delegado, a promotora Christiane Monnerat enviou o inquérito ao chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, solicitando que a investigação seja repassada à PF. No ofício, a promotora justifica o pedido com base no despacho do delegado, que admite o "grau de influência política dos acusados".