Título: PIB do 1º trimestre deve ficar entre 5,5% e 5,8%
Autor: Rodrigues, Luciana
Fonte: O Globo, 10/06/2008, Economia, p. 27
Analistas dizem que houve um freio no início do ano mas que a alta de juros ainda não apresentou impacto
Luciana Rodrigues
A economia brasileira pisou no freio neste início de 2008, mas não o suficiente para reduzir o enorme apetite por importados que tem deteriorado as contas externas do país. Na previsão de analistas, o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de todos os bens e serviços produzidos pelo país) cresceu entre 5,5% e 5,8% no primeiro trimestre, frente ao mesmo período do ano passado - o resultado oficial será divulgado hoje pelo IBGE. Será uma taxa ligeiramente inferior aos 6,2% registrados nos três meses finais de 2007.
Segundo pesquisa semanal do relatório Focus, feita com analistas ouvidos pelo Banco Central, o PIB deve registrar expansão de 5,66% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior.
Mas a perda de fôlego no PIB - e, principalmente, no consumo das famílias - não será suficiente para reduzir o ritmo da chamada absorção doméstica, que é o crescimento da economia sem contar o comércio exterior. A demanda interna deve ter expansão de 9% no primeiro trimestre, frente a igual período de 2007, pelas estimativas de Fernando Montero, da Convenção Corretora. É uma taxa ainda maior que os 8,2% registrados no último trimestre do ano passado. E que confirma os resultados ruins nas contas externas do país.
- A demanda doméstica continua crescendo, e esse número é a preocupação do Banco Central (BC) - afirma Sérgio Vale, da MB Associados.
O BC teme que a demanda interna aquecida pressione ainda mais a inflação e, por isso, desde abril, tem subido os juros básicos da economia.
A contrapartida da demanda interna em ascensão é o fraco resultado das exportações. A MB prevê que as vendas externas do país tenham caído 3,6% no primeiro trimestre deste ano, frente a igual período do ano passado. Enquanto isso, pelas estimativas da MB, as importações cresceram 18,4% no primeiro trimestre.
Para UFRJ, desaquecimento só no segundo semestre
Leonardo Mello de Carvalho, do Ipea, lembra que a greve dos fiscais da Receita Federal prejudicou mais as exportações do que as importações, o que só acentuou a piora na balança comercial no primeiro trimestre.
Para Caio Prates, do Grupo de Conjuntura da UFRJ, a demanda interna só vai desaquecer no segundo semestre, como reflexo da alta de juros do BC, de um crescimento mais lento dos gastos públicos e, ainda, da inflação maior, que corrói o poder de compra dos salários.
- Haverá uma leve desaceleração da demanda, que deve ajudar no combate à inflação, mas que será pouco funcional para corrigir o desequilíbrio em conta corrente (trocas com o exterior) - afirma Prates.
Para Francisco Faria, da LCA Consultores, já houve um desaquecimento da economia neste início de 2008. Ele prevê que o consumo das famílias tenha crescido 7,7% no primeiro trimestre, frente a igual período do ano passado. No último trimestre de 2007, a expansão dos gastos familiares fora de 8,6%.
A previsão dos analistas é que, no primeiro trimestre, frente ao último de 2007, já descontados os efeitos sazonais, o PIB tenha crescido entre 0,5% e 0,6%.
COLABOROU Patrícia Duarte