Título: Lula: após choro, país se encontrou
Autor: Rodrigues, Luciana ; Almeida, Cássia
Fonte: O Globo, 11/06/2008, Economia, p. 27
Presidente diz que é preciso evitar demanda exagerada e volta da inflação
Adauri Antunes Barbosa e Gustavo Paul
SÃO PAULO e BRASÍLIA. O presidente Lula afirmou ontem que "o país se encontrou consigo mesmo", ao comentar o crescimento de 5,8% do PIB no primeiro trimestre. Lula disse que há três ou quatro anos "todo mundo estava chorando" devido às dificuldades da economia, mas agora a indústria brasileira tem condições de ser o carro-chefe do crescimento econômico na América Latina.
- Todo mundo estava chorando em 2004 e 2005. Não agüentava mais encontrar empresário para ouvir: "estamos fechando, quebrando, no vermelho, vamos embora, não está dando certo". Hoje percebemos que o país se encontrou consigo mesmo e passou a perceber que, se der certo, a América do Sul vai dar certo, a América Latina vai dar certo, e a indústria brasileira pode e tem condições de ser o carro-chefe do dinamismo deste setor para o continente - disse Lula, na abertura da feira Hospitalar.
Lula acrescentou que, de 1980 até quase o ano 2000, o Brasil viveu "momentos de descrédito consigo mesmo", mas superou as dificuldades:
- Chegamos a 2008 numa situação altamente confortável. Já conquistamos tudo? Não. Falta muito, afinal de contas, ainda somos país emergente, mas com viés de alta.
O presidente disse ainda que o crescimento do PIB é "prazeroso e alentador", mas ressaltou que é preciso manter a expansão de forma sustentável e não permitir a volta da inflação.
- O Brasil é um país que teve muitos sobressaltos, muitos altos e baixos. E precisamos manter o equilíbrio da economia crescendo no ritmo de 5%, 5,5%, 4,8%. O PIB foi de 5,8% agora no primeiro trimestre. Estou convencido que iremos manter isso por muitos e muitos anos.
Lula deu a receita:
- Basta que a gente não perca o consenso, não permita que a inflação volte, não permita que a demanda cresça exagerada, além da oferta. É preciso uma combinação. Estamos trabalhando isso porque o Brasil tem tudo para se transformar em uma nação definitivamente desenvolvida.
Importação preocupa Lula. Para Bernardo, foi um Pibão
O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, comemorou o resultado trimestral:
- Os números impressionantes do PIB mostram o acerto da política econômica do governo Lula - afirmou.
Em Brasília, porém, o resultado das importações, que avançaram 18,9% no período, causou preocupação. Ao divulgar no início da manhã os dados para o presidente Lula, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, foi questionado sobre esse indicador. Foi considerado elevado pelo presidente, mas o ministro procurou tranqüilizá-lo.
Sua assessoria econômica considera que os números não são sustentáveis: em breve as importações cairão. A razão é que boa parte desse aumento deve-se a compras de máquinas pela indústria. Da mesma forma, ele questiona analistas que preconizam um teto limite para o crescimento brasileiro:
- As teses de crescimento potencial do país foram desmoralizadas com o resultado de 5,8%. Foi um "Pibão".