Título: Xangai tem maior queda desde 2007
Autor: Rosa, Bruno ; Frisch, Felipe
Fonte: O Globo, 11/06/2008, Economia, p. 33

Bolsa cai 7,73% com aumento no compulsório de bancos chineses

Gilberto Scofield Jr.

PEQUIM. A Bolsa de Xangai desabou ontem 7,73%, a maior queda desde fevereiro de 2007, depois que o governo da China anunciou, durante o fim de semana, o 15º aumento no nível do depósito compulsório nos bancos ¿ agora em 17,5% dos ativos, uma alta de um ponto percentual em relação aos 16,5% anteriores. A queda no pregão chinês arrastou para baixo praticamente todas as bolsas asiáticas, que já vinham assustadas com a escalada nos preços dos alimentos e do petróleo e com a crise no Vietnã.

Ainda que muitos economistas venham apontando desaceleração do índice de inflação dos alimentos na China em maio ¿ estima-se que o IPC, que será divulgado amanhã, tenha alcançado 7,7%, contra 8,5% em abril ¿, as incertezas sobre o petróleo e as turbulências financeiras no Vietnã fizeram o Banco Central da China retirar mais dinheiro de circulação.

¿A base monetária cresceu 17% em maio, em comparação com 2007, e é necessário ajustar a liquidez da economia através do sistema bancário¿, afirmou o BC chinês em seu site, justificando o aperto.

Em crise, Vietnã anuncia aumento dos juros básicos

Estima-se que a elevação do compulsório tirou US$61 bilhões de circulação. Ano passado, o BC também subiu os juros básicos da economia chinesa seis vezes. Na segunda-feira foi feriado na China.

Ajudou também na debandada de investidores na bolsa chinesa a declaração do vice-diretor do Escritório Nacional de Estatísticas (ENE) da China, Xu Xianchun. Segundo ele, dificilmente o país exibirá este ano o mesmo crescimento acima de 10% que vem mostrando desde 2002. As razões, disse ele, são basicamente a desaceleração dos EUA e o resultado das medidas de aperto macroeconômico adotadas pelo governo chinês nos últimos dois anos.

¿ De acordo com nossas avaliações, 2007 foi o pico da curva de crescimento da China. O crescimento a partir deste ano irá sendo reduzido gradualmente ¿ disse ele.

E há o Vietnã, que vem enfrentando sua pior crise desde que abraçou as reformas econômicas inspiradas na China. O país sofre com inflação, que chegou a 25,2% no segundo trimestre, déficit comercial crescente, mercado acionário em queda (mais de 60% este ano) e uma moeda, o dong, que não pára de se desvalorizar. O Banco Central do Vietnã aumentou ontem seus juros de 12% para 14% ao ano, os maiores da Ásia.