Título: Farc: anúncio sobre reféns deve sair esta semana
Autor: Azevedo, Cristina
Fonte: O Globo, 11/06/2008, O Mundo, p. 35

Ex-senador nega ter afirmado que seqüestrados poderiam ser entregues ao presidente Lula

Cristina Azevedo

O ex-senador Luis Eladio Pérez informou ontem que esta semana se deverão conhecer as coordenadas e a quem serão entregues mais dois reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Pérez, no entanto, negou em entrevista ao GLOBO ter mencionado que eles poderiam ser entregues ao Brasil e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como afirmaram agências de notícias.

- Não disse que seriam entregues ao Brasil. Não sabemos a quem serão entregues. Essa é uma decisão das Farc. Não mencionei país algum - disse ao GLOBO.

Pérez disse ter recebido informações de pessoas "de grande credibilidade, ligadas à guerrilha", de que duas pessoas, provavelmente dois civis, serão libertados. Quatro civis ainda fazem parte do grupo de mais de 700 reféns em poder das Farc: a ex-senadora Ingrid Betancourt, que também tem nacionalidade francesa, o ex-governador do departamento de Meta Alan Jara, o ex-congressista Óscar Tulio Lizcano e o ex-deputado regional Sigifredo López. Há ainda três americanos em poder da guerrilha.

Colômbia e Venezuela desconhecem libertação

Mais cedo, agências de notícias mencionaram Pérez dizendo que os reféns seriam entregues a Brasil, Venezuela, Equador ou à própria Colômbia. "O processo está em marcha e levará o país a conhecer muito em breve o local, as condições, as coordenadas e as pessoas a quem os entregarão: se ao presidente (venezuelano Hugo) Chávez, (ao equatoriano Rafael) Correa, Lula ou ao próprio (colombiano Álvaro) Uribe", disse ele segundo a agência EFE.

Para Pérez, que ontem se reuniu com Uribe e o comissário de Paz, Luis Carlos Restrepo, a libertação de civis é a continuação do plano que começou com a entrega de outros seis - ele inclusive. As Farc querem obter reconhecimento político do governo colombiano para a troca de policiais e militares seqüestrados por guerrilheiros presos e que a França lidere uma campanha para que saiam da lista de grupos terroristas.

- Não me atreveria a mencionar um país. Não descartaria o Brasil porque, como seqüestrados, sempre estivemos perto da fronteira. Mas é uma especulação - acrescentou.

Os governos da Colômbia e da Venezuela disseram desconhecer qualquer informação sobre a libertação de reféns.