Título: Inflação teve maior alta no mês de maio desde 96
Autor: Schreiber , Mariana ; Novo, Aguinaldo
Fonte: O Globo, 12/06/2008, Economia, p. 29
IPCA, referência do sistema de metas do governo, foi de 0,79%, puxado por alimentos. Acumulado em 12 meses já é de 5,58%
Mariana Schreiber e Aguinaldo Novo
RIO e SÃO PAULO. A inflação voltou a subir com força no mês passado, puxada mais uma vez pelo aumento dos preços dos alimentos. De acordo com o IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), da meta do governo, avançou 0,79%. Estava em 0,55% em abril. O percentual é o maior para um mês de maio desde 1996 (1,22%). Considerando outros meses, a maior variação foi em abril de 2005 (0,87%).
O IPCA acumulado em 12 meses passou de 5,04% em abril para 5,58% em maio, afastando-se ainda mais do centro da meta de inflação, fixado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 4,5% para 2008. O teto é 6,5%. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor, que mede a alta dos preços para os mais pobres, variou 0,96% e acumula em um ano alta de 6,64%.
O arroz teve a maior alta mensal de todo Plano Real (19,75%) e foi o item que mais pressionou o IPCA de maio. O avanço foi dez vezes maior que o de abril (1,96%). Também tiveram novo aumento de preços o pão francês (4,74% ante 7,33%) e as carnes (3,45% ante 1,35%).
-- Sem dúvida, a alta dos alimentos é generalizada e não dá sinais de que vá arrefecer nos próximos meses -- afirmou a coordenadora de preços do IBGE, Eulina dos Santos.
Segundo análise do Bradesco, o mercado interno está refletindo o aumento do preço do arroz no mercado externo, que está pressionado pelo aumento do consumo nos países asiáticos e do Leste Europeu, ao mesmo tempo em que há escassez do produto no mundo. Além disso, a safra nacional colhida neste ano de 12 milhões de toneladas não é suficiente para atender a demanda interna, atualmente estimada em 13 milhões de toneladas.
Serviços bancários também puxaram índice de inflação
Os produtos não alimentícios também aceleraram, passando de 0,34% para 0,46%. A principal alta veio dos serviços bancários (8,74%), em comparação a variações que não passaram de 0,5% nos meses anteriores. Em fevereiro, pelos dados do IBGE, houve até deflação (-0,85%). Segundo o Procon de São Paulo, os bancos reajustaram suas tarifas antes da entrada em vigor, em 30 de abril, da nova regulamentação do BC que limita os aumentos a intervalos mínimos de 180 dias.
O Procon encontrou altas de até 433%. Foi o caso do valor cobrado pelo Real para renovação de cadastro, que passou de R$9 em fevereiro para R$48. No Unibanco, o valor para fornecimento de folhas avulsas de cheques subiu 288,9%. Os bancos contestaram a pesquisa