Título: Grupo pró-Kassab baterá chapa com Alckmin
Autor: Barbosa, Adauri Antunes
Fonte: O Globo, 18/06/2008, O País, p. 8
Ex-governador terá que disputar, no domingo, com grupo tucano favorável à aliança com o DEM do atual prefeito
Adauri Antunes Barbosa
SÃO PAULO. Rachado, o PSDB de São Paulo terá duas chapas na convenção do partido que escolherá, no próximo domingo, o candidato tucano à prefeitura da capital paulista. De um lado está o ex-governador Geraldo Alckmin, que já se lançou candidato a prefeito, e, do outro, o grupo tucano que quer a continuidade da aliança com o DEM e a candidatura à reeleição do prefeito Gilberto Kassab, cuja chapa foi registrada ontem e que tem o apoio do governador José Serra (PSDB).
A proposta dos tucanos que apóiam Kassab, assinada por 424 delegados do total de 1.344, é encabeçada pelo secretário municipal de Esportes, Walter Feldman, e pelo líder da bancada tucana na Câmara, vereador Gilberto Natalini. Dos 12 vereadores do partido, apenas um, Tião Farias, apóia Alckmin. O diretório municipal tem até 48 horas para enviar o registro da chapa à direção nacional do partido, em Brasília, a quem cabe homologar ou não o registro, já que se trata de uma proposta de coligação na qual o PSDB não está na cabeça da chapa.
Vereador tucano: Kassab é "nosso" prefeito
Em entrevista ontem no diretório municipal, após entregar o pedido de registro da chapa, Natalini defendeu a aliança com o DEM explicando que desde que Serra renunciou ao cargo de prefeito para disputar e ser eleito governador, a coligação se manteve na administração da prefeitura de São Paulo, tendo pelo menos 80% de tucanos.
- Nós não saberíamos dizer que esse prefeito (Kassab) não é mais nosso. Se foi nosso até agora, como vamos apresentar outro candidato? Com que cara vamos falar isso ao povo de São Paulo? - justificou Natalini, que estava acompanhado por dez vereadores.
No domingo a convenção tucana terá quatro votações: duas para a chapa majoritária, com Alckmin candidato e a proposta de coligação com Kassab; e outras duas para a chapa de candidatos a vereador. Os "alckmistas" já fecharam uma chapa com as 82 vagas que a lei eleitoral permite ao PSDB. Os "kassabistas" têm outra proposta, que inclui os 11 vereadores do grupo que apóia a aliança, que ficaram de fora da chapa oficial. Como são apenas 11, com menos de 15% dos votos eles teriam direito a integrar a chapa oficial que disputará a eleição.
"Kassabistas" querem Alckmin só em 2010
De acordo com Natalini, os "kassabistas" querem preservar Alckmin para a disputa ao governo do estado, em 2010, quando Serra seria o candidato tucano, com o apoio do DEM, a presidente da República:
- Ele (Alckmin) tem chances concretas de ganhar no primeiro turno. Mas, com essa proposta, teremos dificuldades de ter um candidato à altura para ganhar a eleição no primeiro turno.
Mesmo com o racha evidente, líderes tucanos negam as divisões internas. Walter Feldman prefere falar em um "parto democrático".
- Não acredito (no racha). O partido tem que passar por esse parto democrático, a discussão na sua democracia interna de teses contraditórias. É aí que ele vai provar que está amadurecido, depois de 20 anos de fundação - afirmou, garantindo a unidade. - Todos os candidatos do PSDB apoiarão o candidato próprio, sem nenhum tipo de constrangimento.