Título: Pré-candidatos exigem retirada de militares
Autor: Motta, Cláudio
Fonte: O Globo, 18/06/2008, Rio, p. 12
De acordo com eles, houve o uso da máquina pública numa campanha eleitoral
Cinco pré-candidatos à Prefeitura do Rio defendem a imediata retirada do Exército do Morro da Providência, sob o argumento de que não é função da instituição estar vinculada a um projeto de cunho eleitoral, criado pelo senador Marcelo Crivella (PRB), também pré-candidato a prefeito da cidade. O deputado federal Chico Alencar (Psol) anunciou que entrará com requerimento na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional pedindo esclarecimentos sobre a presença do Exército no morro e sobre como ocorreu o convênio da instituição com o projeto do senador:
- Entro ainda com pedido de apuração à Justiça Eleitoral para verificar se houve o uso eleitoral do projeto. Que tipo de influência o senador exerceu na comunidade, como ocorreu a escolha das casas beneficiadas?
A deputada federal Solange Amaral (DEM) entra hoje com requerimento de convocação do ministro da Defesa, Nélson Jobim; do ministro das Cidades, Márcio Fortes; além de convidar o comandante do Exército, general Enzo Peri, para prestarem esclarecimentos no Congresso sobre a presença de soldados na Providência:
- Os advogados do DEM entrarão também com pedido de medida cautelar no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para que seja proibido o slogan "Cimento Social" nas obras.
Ressalvando que defende o trabalho social do Exército, como no Haiti, o deputado federal Fernando Gabeira (PV) disse que entrou com representação no TRE para impugnar a presença do Exército no morro, questionando ainda o uso da máquina pública numa campanha eleitoral:
- Em qualquer lugar do mundo, o comandante do Exército teria pedido demissão após uma tragédia dessas. Ele não foi forte o suficiente para impedir que o Exército participasse de uma campanha eleitoral.
A pré-candidata Jandira Feghali (PCdoB) afirma que o Exército deve exercer função social, mas não cuidar de um canteiro de obras. Segundo ela, a bancada do partido vai estudar mecanismos jurídicos para exigir a retirada dos soldados. O deputado estadual Alessandro Molon (PT) disse que o partido vai discutir ainda esta semana quais atitudes deve tomar.
- O Exército deve explicar por que exerceu uma função que não era a sua - acrescenta Molon.