Título: PT do Rio emperra aliança com o bloquinho
Autor: Camarotti, Gerson; Menezes, Maiá
Fonte: O Globo, 19/06/2008, O País, p. 8

Para acordos em SP e Minas, partidos querem que Molon apóie Jandira; direção nacional ainda tenta negociar

Gerson Camarotti e Maiá Menezes

BRASÍLIA e RIO. O pré-candidato do PT à Prefeitura do Rio, Alessandro Molon, é hoje o obstáculo mais resistente à aliança com o chamado "bloquinho" - que reúne PSB, PCdoB e o PDT - em torno de candidaturas em São Paulo, Rio e Belo Horizonte. Anteontem à noite, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo às alianças, em reunião com líderes dos partidos, e foi alertado sobre a dificuldade no PT do Rio. O impasse no Rio será levado hoje pelo presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), para análise da Executiva Nacional do partido, que antecipou em uma semana a sua reunião.

"Não há possibilidade de abrirmos mão", diz Molon

Irredutível, Molon argumenta que uma nota, aprovada por unanimidade pela direção municipal do partido, reafirma sua pré-candidatura. No domingo, o PT do Rio oficializa a decisão nas eleições deste ano. Molon sustenta que é impossível mudar de idéia:

- Não há possibilidade de abrirmos mão da missão que a base do partido nos confiou. Foi uma decisão tomada nas prévias mais participativas do Brasil, ouvindo 8.600 filiados. E isso seria um desrespeito com eles. Não tenho preocupação com as declarações (de que apenas a resistência dele estaria emperrando o "bloquinho"). Estou tranqüilo - disse ontem Molon.

Para reforçar a pressão sobre o PT carioca, o presidente nacional do PSB, governador Eduardo Campos (PE), afirmou ontem que o partido retirou o apoio formal à candidatura de Alessandro Molon em favor de Jandira.

- Para que se tenha um gesto de um lado é preciso que haja contrapartida. Todos precisam contribuir. Essa construção de palanques é complexa. Agora, tempos que tentar operacionalizar essas alianças - ressaltou Eduardo Campos.

Aldo Rebelo também espera sinal do PT carioca

Segundo aliados que participaram do jantar no Palácio da Alvorada, Lula explicitou sua preocupação com o isolamento da candidatura da ex-ministra do Turismo Marta Suplicy, na capital paulista. Há forte pressão do presidente para que o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) desista da sua candidatura em favor da petista. Mas os comunistas deixaram claro que não haveria uma decisão unilateral, ou seja, depende do PT no Rio.

No jantar, Lula demonstrou o seu desconforto com a dispersão dos partidos aliados na campanha municipal e pediu que se criasse um clima de diálogo para tentar as alianças. O prazo para as convenções municipais acaba no dia 30.

O presidente disse que, inicialmente, não queria se intrometer nos problemas das eleições deste ano, mas que foi procurado pelos partidos. Por isso, acrescentou, percebeu a necessidade de tentar aproximar mais o bloco de esquerda do PT e do seu governo.

- O presidente Lula deseja agrupar mais a sua base aliada nas eleições e com isso criar um clima de entendimento - disse o líder do PCdoB, deputado Renildo Calheiros (PE).

Além do impasse do Rio e São Paulo, há dificuldades em outras cidades estratégicas. Em Belo Horizonte, o PT vetou aliança formal do candidato do PSB, Márcio Lacerda, com o PSDB. Caso o veto permaneça, o governador Aécio Neves (PSDB-MG) estaria disposto a fazer uma aliança branca.

Em Recife, o PT reivindica o fim da candidatura do vice-prefeito Luciano Siqueira (PCdoB) em favor do deputado estadual João da Costa (PT). Já em Manaus, o PSB quer o apoio dos demais partidos em favor da reeleição do prefeito Serafim Corrêa.

PMDB do Rio também enfrenta rusgas

A três dias da convenção no Rio - que se realiza no mesmo dia da do PT - o PMDB também enfrenta turbulências. Depois de dispensar o apoio a Molon, o partido agora investe no ex-secretário estadual de Turismo, Esporte e Lazer Eduardo Paes, mas com divergências. Ontem à noite, o presidente regional do PMDB, Anthony Garotinho, reuniu cerca de 70 convencionais para pedir votos contra a candidatura de Paes. Também são pré-candidatos o deputado federal Marcelo Itagiba e o presidente do Sindicato dos Artistas, Jorge Coutinho.

Garotinho argumenta que a candidatura de Paes não se sustentaria juridicamente, por causa da forma com que foi oficializada, no Diário Oficial, a desincompatibilização do cargo de secretário: com data retroativa. O ex-governador afirma que, caso seja o escolhido, Paes terá a candidatura impugnada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).