Título: Mãe de Isabella Nardoni depõe contra madrasta
Autor:
Fonte: O Globo, 19/06/2008, O País, p. 13

Ana Carolina, que reencontrou o casal, diz que família de Alexandre temia deixar a menina com Anna Jatobá

SÃO PAULO. Quase três meses após a morte da filha Isabella, a bancária Ana Carolina de Oliveira reencontrou-se ontem com o pai e a madrasta da menina, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, no Fórum de Santana, Zona Norte da capital. Muito nervosa no início da sessão, Ana Carolina contou que até a família de Alexandre tinha medo de deixar Isabella com a madrasta. Por isso, todas as vezes que a menina ia dormir na casa do pai, a tia Cristiane a acompanhava.

A mãe de Isabella disse também que Anna Carolina Jatobá não a deixava falar com a filha quando a criança estava na casa dela, e que, certa vez, jogou o filho Pietro na cama e deu murro no estômago de Alexandre porque ele atendeu a uma ligação sua.

Ana Carolina precisou tomar um copo de água para falar com o juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri. Alexandre e a mulher permaneceram na sala, a pedido dela, mas a mãe de Isabella evitou olhar para os dois, que estavam algemados. O depoimento durou duas horas e 15 minutos. Ao todo, nove pessoas foram ouvidas, entre elas a avó materna.

Avó materna diz que não aprovava o namoro da filha

A avó de Isabella, Rosa Maria Cunha de Oliveira, não de Ana Carolina, também afirmou que se preocupava quando a neta ia na casa do pai, porque a madrasta tinha muito ciúme, como a própria avó paterna comentava.

Rosa Maria disse que, certa vez, Alexandre atirou o filho Pietro no chão porque o menino mordeu o braço da irmã. Ela afirmou que não queria o namoro com sua filha com Alexandre porque ele era briguento, falava gíria e tinha passado 75 cheques sem fundos.

A mãe de Isabella disse que Alexandre incentivava a menina a bater em Pietro quando ele a beliscava. Segundo ela, Alexandre nunca se interessou pelos estudos da filha e, nos fins de semana em que a menina ficava com ele, era a tia quem a ajudava a fazer lição.

O promotor Francisco Cembranelli perguntou qual o motivo de a mãe de Isabella suspeitar do envolvimento do casal no crime. Ana Carolina disse que era por conta de coisas que poderiam ter acontecido e que Isabella havia comentado. Porém, não entrou em detalhes. Ela relatou também que Anna Jatobá perguntou várias vezes como foi o namoro dela com Alexandre, mas que nunca respondeu. Ainda segundo disse, Alexandre chegou a ameaçar sua mãe de morte porque Isabella foi matriculada numa escolinha.

Emocionada, Ana Carolina lembrou que, na noite do crime, ao se ajoelhar diante da filha e ver o corte na testa dela, teve a impressão de que alguém o havia acabado de limpar. Ela disse que, naquela ocasião, Anna Carolina Jatobá gritava muito, falava palavrões e que a mandou calar a boca.

Durante o depoimento, Alexandre levou várias vezes as duas mãos à cabeça e a balançou negativamente.