Título: Senado adia sabatina de Teixeira
Autor: Novo, Aguinaldo
Fonte: O Globo, 19/06/2008, Economia, p. 29
Oposição quer ouvir antes versão de Audi e demais sócios da empresa
Geralda Doca, Leila Suwwan e Gerson Camarotti
BRASÍLIA. O esperado depoimento do advogado Roberto Teixeira - compadre do presidente Lula que atuou na venda da VarigLog - foi adiado na Comissão de Infra-estrutura do Senado a pedido da oposição, que quis ouvir primeiro os sócios brasileiros na empresa e que não compareceram à audiência. Teixeira, porém, aproveitou os holofotes para negar que tenha recebido US$5 milhões pelo serviço prestado - disse que foram entre US$300 mil e US$350 mil - ou exercido tráfico de influência no Palácio do Planalto e conluio com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
- Jamais, comigo ou por interferência minha, ela (Dilma) teve qualquer contato. Tenho um distanciamento normal em relação à ministra Dilma. Não temos um relacionamento de amizade. É apenas (contato) formal. Em relação ao presidente Lula, igualmente. Ele tem mais é que cuidar do Brasil e não vai interferir em questões absolutamente comerciais - disse ele.
Teixeira deu a entender que não voltará ao Senado, ao dizer que considera o assunto encerrado e lembrar sua condição de cardiopata - teria feito cirurgia semana passada.
Teixeira deixou no Senado uma apresentação, que seria lida por ele durante a sessão, na qual diz que a ex-diretora da Anac Denise Abreu "nunca escondeu sua atuação em prol da liquidação e extinção da Varig". "Como auxiliar da Casa Civil, sugeriu a elaboração de medida provisória que fatiava a Varig em benefício de suas concorrentes", diz o texto, no qual lembra ainda que ela protagonizou "fugas cinematográficas dos oficiais da Justiça" que tentavam impedir o leilão de rotas da Varig.
Oposição tenta obter documentos que comprovem "lobby"
Disse ainda que entrou com representação contra Denise porque os interesses de seu cliente estavam sendo "vilipendiados". Mas se recusou a responder porque desistiu do recurso no mesmo dia em que a operação foi aprovada, em 23 de junho de 2006.
Em nota, a assessoria de imprensa de Denise disse que "as declarações do advogado Roberto Teixeira constantes de nota por ele divulgada à imprensa procuram apenas desviar o foco dos problemas que o afligem".
A estratégia de DEM e PSDB é obter documentos que comprovem que Teixeira recebeu US$5 milhões da VarigLog para fazer um lobby no Palácio do Planalto. Para isso, depositam suas esperanças em Marco Antonio Audi, que estaria disposto a comparecer à Casa. A avaliação dos senadores da oposição foi que, se Teixeira falasse sem ter à mão documentos que servissem de contraditório, o assunto seria esvaziado de forma definitiva na Comissão de Infra-estrutura. A oposição queria acareação.
- Se houvesse o depoimento de Teixeira, entregaríamos de bandeja sua absolvição - disse o líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN).