Título: Tarso defende PAC e culpa prefeituras
Autor: Braga, Isabel; Lima, Maria
Fonte: O Globo, 21/06/2008, O País, p. 5
Ministro diz que irregularidades estão relacionadas à execução das obras.
BRASÍLIA. O ministro da Justiça, Tarso Genro, negou que as fraudes em obras do PAC tenham alguma relação com a estrutura do programa, cuja continuidade defendeu, inclusive com a aceleração das obras. Para o ministro, as irregularidades estão relacionadas à execução das obras, tarefa das prefeituras. O ministro disse que as obras são fiscalizadas pelo Tribunal de Contas da União e pela Controladoria-Geral da União:
- Tem que apressar as obras dentro de toda a legalidade e cautela com que estão sendo feitas e implementadas pelo governo federal. Isso ocorre em qualquer tipo de obra. O que existe de diferente no país hoje é que há uma luta sem trégua contra a corrupção. Isso é uma característica que não vai ser mudada, independentemente dessa obra estar vinculada ou não ao PAC.
Numa tentativa de se antecipar a possíveis críticas sobre a atuação da PF, Tarso disse que a Operação João de Barro está amparada em critérios técnicos. Nas últimas operações, políticos acusados de corrupção reagiram às investigações alegando que estavam sendo alvo de perseguição por parte da PF a mando do governo:
- Queremos deixar absolutamente claro que todo o trabalho de investigação feito, buscas, mandados de prisão não têm nenhuma destinação voltada a qualquer região especial, a qualquer orientação política ou ideológica especial, mas obedecem estritamente ao trabalho feito pelos órgãos técnicos da União.
As buscas nos gabinetes dos deputados João Magalhães (PMDB-MG) e Ademir Camilo (PDT-MG) foram precedidas de cuidados. Antes a entrada dos policiais federais na Câmara, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, conversou com o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Este designou o diretor-geral da Câmara, Sérgio Sampaio, e integrantes da Polícia Legislativo para acompanhar o trabalho da PF.
O governo e o Ministério Público tentam evitar polêmicas como as da Operação Santa Teresa, em que a PF foi ao gabinete do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). Após a operação, Chinaglia disse que a PF não tinha direito de entrar na Câmara sem autorização da Mesa da Casa.
Tarso avisou ao ministro das Cidades, Márcio Fortes, sobre as buscas que a polícia faria na Secretaria de Saneamento Ambiental, onde trabalhavam dois suspeitos de envolvimento com as fraudes.