Título: É muito mais lobby do pessoal de Santos
Autor: Suwwan, Leila; Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 21/06/2008, Economia, p. 37
EIKE BATISTA
O empresário Eike Batista já prepara outra captação na Bovespa, para a LLX, de logística portuária. Mas enfrenta a indefinição do governo sobre a autorização para que o capital privado opere grandes portos que recebam contêineres.
Juliana Rangel
O senhor vem conversando com o governo sobre a abertura da operação de portos à iniciativa privada?
EIKE BATISTA: Estive com a ministra Dilma (Rousseff, da Casa Civil) e fiquei feliz em saber que o governo quer um Brasil moderno e competitivo. Mas não adianta só modernizar portos. É como modernizar o aeroporto de Congonhas para que ele possa receber um jumbo. Isso nunca vai acontecer. Tem que construir outro aeroporto.
O ministro dos Portos, Pedro Britto, avalia limitar o capital privado...
EIKE: Fiquei devendo detalhes do conceito de porto-indústria, que não se pode implementar em Santos, não há espaço. Quando os esclarecimentos forem feitos... Nunca vi alguém querer prejudicar o Brasil.
O que é esse conceito?
EIKE: É o de um porto onde você já descarrega o navio. Conseguimos garantir uma área gigantesca, e, atualmente, você não consegue mais fazer isso porque há sempre uma cidade atrás do porto. Queremos que aconteça o que ocorreu na telefonia. Dez anos atrás, o telefone era de discar. Hoje, tem a terceira geração de celular e se vê televisão.
Que barreiras vocês enfrentam?
EIKE: Nosso pleito é dizer: queremos fazer contêiner também porque aí tem um mercado enorme e o Brasil precisa. Os portos estão congestionados com a carne de Mato Grosso. Isso, para mim, é muito mais lobby do pessoal de Santos. O que é pior: um monopólio privado, com licença do governo. Terei uma permissão para operar por 25 anos e terei que pagar um tributo. Eles querem dizer onde e quando esse processo de modernização tem que acontecer. Mas o setor privado se antecipa e arrisca.
Se vocês não conseguirem autorização para operar contêineres, a emissão de ações da LLX fica inviável?
EIKE: Não tem nada a ver. A LLX já é uma empresa pública e listada, com recursos próprios. O Porto Brasil é um plus. Até porque o licenciamento ambiental é demorado, não sai antes de um ano.