Título: Minc anuncia acordo com o setor madeireiro
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Fonte: O Globo, 26/06/2008, O País, p. 4

Exportadores não comprarão madeira de áreas devastadas.

BRASÍLIA. O governo fechou ontem o primeiro acordo com o setor madeireiro para frear a exportação de toras cortadas ilegalmente na Amazônia. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o diretor da Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Pará (Aimex), Justiniano Neto, assinarão o compromisso no dia 18, em Belém. A iniciativa é inspirada na moratória da soja, pela qual os exportadores deixam de comprar grãos colhidos em áreas devastadas.

Os exportadores se comprometeram a não comprar madeira retirada de áreas devastadas ilegalmente. O Código Florestal permite a derrubada de árvores em 20% das propriedades na Amazônia - o resto deve ser preservado como reserva legal de floresta. Minc disse que pretende aumentar o rastreamento da madeira vendida na região para a fabricação de móveis. A idéia é reforçar o consumo de madeira com origem certificada:

- O objetivo é evitar que a madeira ilegal possa entrar na rota da exportação e permitir que os consumidores possam se engajar na campanha.

Setor quer cartilha com direitos e deveres

Em contrapartida, o governo prometeu acelerar a regularização ambiental das madeireiras e editar uma instrução técnica com normas para as derrubadas na Amazônia.

- Precisamos urgentemente de um manual para que a empresa saiba seus deveres e os direitos que tem. Isso não acontece hoje, o que gera injustiças - disse Justiniano.

Minc prometeu dobrar as metas de concessão de florestas para uso sustentável. Em 2009, o governo previa licitar dois milhões de hectares, com autorização para explorar 66 mil hectares.

- Comparado com o que tem de madeira oriunda de área desmatada, é um pingo no oceano - disse Minc.

Segundo a Aimex, o setor madeireiro no Pará é o segundo na pauta de exportações do estado, atrás da mineração, e gera 200 mil empregos diretos e indiretos, reunindo três mil empresas e sendo responsável por uma receita bruta de R$3,5 bilhões em 2007.