Título: Caso mineiro ainda será julgado
Autor: Brígido, Carolina
Fonte: O Globo, 29/06/2008, O País, p. 3

Corte deve decidir em 2009 se transforma denúncia em processo

BRASÍLIA. Além do processo principal do mensalão, em que 39 pessoas são acusadas de integrar um esquema de pagamento de propina por parte do governo a parlamentares em troca de apoio político, tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) outras três investigações sobre o mesmo assunto. Um deles é o chamado mensalão mineiro, em que o senador tucano Eduardo Azeredo é acusado de ter recebido recursos de forma irregular do empresário Marcos Valério para custear sua campanha eleitoral em 1998. Segundo o relator, ministro Joaquim Barbosa, o plenário da Corte decidirá no início de 2009 se transforma o inquérito em processo. Se isso acontecer, Azeredo e outros 14 denunciados pelo Ministério Público passarão a ser réus.

A denúncia sobre as investigações do mensalão em Minas Gerais foi apresentada pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, em novembro de 2007. Antes de levar o caso ao exame de seus dez colegas em plenário, Barbosa terá que elaborar um voto, opinando se a investigação deve seguir adiante ou ser arquivada por falta de provas. O ministro afirmou que, para redigir seu voto, precisará se afastar em breve do processo principal do mensalão.

Outra vertente do mesmo caso é uma ação penal que investiga o deputado José Genoino (PT-SP) por gestão fraudulenta de instituição financeira e falsidade ideológica. Outros dez réus são investigados no processo, incluindo o empresário Marcos Valério e sua mulher, Renilda de Souza, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e quatro dirigentes do banco BMG. O processo estava sendo conduzido pela Justiça Federal em Belo Horizonte. Como Genoino foi eleito deputado federal em 2006, ganhou foro privilegiado e o caso foi transferido para o STF.

Um quarto inquérito também trata do mensalão. Quando o Supremo transformou a investigação principal sobre o tema em ação penal, em agosto de 2007, Antonio Fernando entregou à Corte novas provas contra os mesmos réus. Esses documentos foram todos reunidos em um inquérito, que tramita junto com a ação principal.

www.oglobo.com.br/pais