Título: Petróleo supera US$144 e bate novo recorde
Autor: Guilayn, Priscila
Fonte: O Globo, 03/07/2008, Economia, p. 26
AMEAÇA GLOBAL: Cotação do barril do tipo Brent fecha em alta de 2,5%, com queda de estoques americanos.
Para Gabrielli, ninguém está imune à crise, mas Brasil "tem certo grau de vacinação contra impacto a curto prazo"
NOVA YORK e MADRI. O preço do barril do petróleo bateu novo recorde ontem, superando a marca de US$144. Além da tensão entre Irã e Iraque e da desvalorização do dólar, a queda em dois milhões de barris nos estoques americanos inflou os preços. As reservas caíram para 299,8 milhões de barris na última semana, o menor nível desde janeiro. Em Londres, o barril do tipo Brent fechou a US$144,26, após atingir a máxima de US$144,95. A alta de 2,5% fez com que a cotação superasse a do tipo leve americano, que fechou a US$143,57 (alta de 1,84%), também recorde.
Os sucessivos recordes levaram caminhoneiros indianos a entrar em greve contra o aumento dos combustíveis e foram alvo de comentários do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, que participou ontem do 19º Congresso Mundial de Petróleo, em Madri. Ele afirmou que nenhum país está imune a uma grande crise, mas que o Brasil tem vantagens:
- Ninguém está imune, mas podemos dizer que estamos com um certo grau de vacinação contra o impacto a curto prazo. É verdade que o preço está muito alto, mas, a longo prazo, há varias possibilidades, como incrementar a produção. O problema não é que falte petróleo. O problema é que não é possível explorá-lo de forma economicamente viável, e existem limitações geopolíticas. Há países ainda que estão protegendo suas reservas.
Gabrielli: Petrobras não voltará ao Iraque
Gabrielli alfinetou, dessa forma, os EUA, que vêm dificultando a exploração por empresas estrangeiras. Para ele, a situação do Brasil é peculiar, porque o país consome grande parte de seu próprio petróleo e pode substituir gasolina por etanol.
- Nosso lucro vem do crescimento do Brasil. E, portanto, temos que ter cuidado se mudamos o preço (dos combustíveis) no mercado doméstico. Não vamos repassar o preço por causa de uma mudança a curto prazo nos preços internacionais.
Sobre os campos de petróleo que o Iraque abriu para exploração por estrangeiros, Gabrielli afirmou que a Petrobras não tem interesse em voltar ao país.
Maria das Graças Foster, diretora de Gás e Energia da Petrobras, também presente ao encontro, garantiu que não há "apagão de gás no Brasil", pois não há perspectiva de falta do combustível a longo prazo.
(*) Com agências internacionais
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