Título: Na estréia, disputa por padrinhos
Autor: Tabak, Flávio ; Lima, Ludmilla de
Fonte: O Globo, 07/07/2008, O País, p. 3
Candidatos tentam se associar a Lula, Serra, Cabral e Cesar; Crivella copia slogan do presidente Flávio Tabak, Ludmilla de Lima, Waleska Borges e Chico Otavio
Para o bem ou para o mal, caciques políticos e padrinhos dos candidatos a prefeito carioca pautaram a largada da campanha eleitoral. Apesar de ser uma campanha municipal, três candidatos tentaram se vincular ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ¿ ironicamente, só o petista não o citou. Mas os nomes do prefeito Cesar Maia e dos governadores José Serra (SP) e Sérgio Cabral Filho (RJ), associados a elogios e críticas, também protagonizaram o início da luta pelo voto do eleitor.
A disputa pela força política de Lula mobilizou três candidatos da base aliada. Enquanto cabos-eleitorais de Eduardo Paes (PMDB/PTB/PP/PSL) anunciavam, por alto-falantes, que ele era o único candidato de Lula, Marcelo Crivella (PRB/PR/PSDC/PRTB), além de lançar na Barra da Tijuca um jingle que repete ¿Crivella lá¿ ¿ em clara referência à campanha presidencial de Lula em 1989 ¿, divulgou carta aberta à população, como fez o presidente na campanha de 2002.
Jandira Feghali (PCdoB/PTN/PHS/PSB) também entrou na briga pelo vínculo a Lula. Ao se referir aos antigos aliados da esquerda, agora adversários, disse respeitar os que lançaram candidatura própria, mas frisou que quer a presença do presidente:
¿ Sempre esperamos o apoio de Lula, mas como ele vai se comportar será uma decisão dele. O apoio em torno de minha candidatura seria uma vitória de seu campo.
Maioria começou a campanha na Zona Sul
Jandira, Gabeira e Solange aproveitaram o domingo ensolarado para dar o pontapé inicial da campanha na orla de Copacabana. Eduardo Paes subiu as escadarias da Igreja da Penha, enquanto Crivella caminhou em Cocotá, na Ilha do Governador, e Alessandro Molon foi a Santa Teresa. Chico, por sua vez, deu aula de História no Aterro.
Os nomes do governador Sérgio Cabral e do presidente Lula foram citados a todo momento na passeata de Eduardo Paes, no Ponto Chique, em Padre Miguel. Enquanto o candidato seguia, na sua frente um militante abria o caminho dizendo por alto-falante: ¿O Eduardo Paes é o único candidato que tem o apoio do Cabral e do Lula¿. Durante o dia, por duas vezes, Paes fez questão de destacar o apoio dos governos dos padrinhos.
¿ Uma das prioridades é buscar parcerias com os governos estadual e federal. A prefeitura tem que parar de ficar isolada numa ilha de trincheira ¿ disse Eduardo Paes.
Outra estrela da política nacional que despontou na campanha carioca foi o governador José Serra (PSDB). Fernando Gabeira (PV/PSDB/PPS) citou como meta um programa do governo paulista, o da nota fiscal eletrônica, que aumenta a capacidade de arrecadação.
Cesar provoca elogios e críticas de candidatos
A sombra do prefeito Cesar Maia na campanha atraiu elogios e críticas. Afilhada política, Solange Amaral (DEM/PTC/PMN) usou o ataque como melhor defesa para repelir as críticas à administração municipal:
¿ Ele é uma pessoa muito importante. Eu sou pós-Cesar Maia. Quem quiser ser anti-Cesar Maia não vai se dar bem.
Pouco antes, Jandira já havia disparado os primeiros ataques da campanha a Cesar e aos próximos meses da administração municipal:
¿ É melancólico. Não há lugar onde a palavra usada não seja abandono, dos humildes aos mais abastados.
Outros personagens nacionais também apareceram em ataques adversários. Ao comentar pesquisas que indicam que Crivella está na frente, Solange disse estar convencida de que irá para o segundo turno e não com o ¿herdeiro do bispo Macedo¿, numa alusão ao fato de Crivella ser bispo licenciado da Igreja Universal e sobrinho de seu fundador.
Marqueteiro de Lula em 2002, Duda Mendonça elaborou a carta apresentada por Crivella. O documento de 12 itens adota a estratégia usada então pelo presidente, citado logo no primeiro parágrafo como ¿grande amigo¿.
Num dos tópicos, Crivella promete que não vai contratar parentes ou integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus para secretarias municipais. Ele pede ¿compreensão¿ dos representantes da igreja, que também, segundo ele, não estão autorizados a usar seu nome em cultos nos templos.
¿ Não posso garantir aquilo que não depende exclusivamente de mim. Fiz o apelo na carta pedindo compreensão ¿ disse Crivella, cujo partido, PRB, tem a página na internet desenvolvida por uma empresa ligada à Igreja Universal.
Crivella também falou da notificação que recebeu do Tribunal Regional Eleitoral sobre o uso do Projeto Cimento Social no Morro da Providência. Segundo ele, a obra começou em 2007 e não tem cunho político.
O candidato da coligação PSOL/PSTU, Chico Alencar, preparou uma aula sobre a História do Rio de Janeiro em frente ao monumento a Estácio de Sá, no Aterro, para associar o passado com o comportamento político dos adversários. O deputado disse apostar no eleitorado da ex-senadora Heloísa Helena no Rio para crescer durante a campanha:
¿ A gente não se ampara nas pesquisas como bêbados em postes ¿ ironizou.
Antes de seguir para Santa Teresa, Chico se encontrou com o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, na Cinelândia.
Já Alessandro Molon, do PT, sem mencionar o presidente, disse que conta com o apoio dos militantes para vencer esta eleição:
¿ Recuperamos um hábito do PT, que é o de ir para as ruas com a militância. Queremos resgatar as melhores bandeiras do partido nessa campanha.
Ao lado de petistas com bandeiras, Molon foi a Santa Teresa e à Zona Oeste.
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