Título: Premier de Israel acusado de duplicar notas
Autor: Malkes, Renata
Fonte: O Globo, 12/07/2008, O Mundo, p. 34

Ehud Olmert desviaria dinheiro de instituições públicas e particulares para realizar viagens com a família

Renata Malkes

TEL AVIV. A polícia apertou o cerco ao primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert. Interrogado ontem pela terceira vez em sua casa em Jerusalém, o premier é agora acusado de fraudar notas fiscais e usar dinheiro doado por instituições públicas e privadas para custear viagens pessoais da família. O que era para ser mais uma etapa das investigações sobre o recebimento ilícito de US$150 mil em envelopes doados pelo empresário americano Morris Talansky está se transformando numa seqüência de escândalos de corrupção sem precedentes no país.

Devassa nas contas do premier entre 1993 e 2006

Num comunicado conjunto, a polícia e o Ministério da Justiça anunciaram uma devassa nas contas do premier entre 1993 e 2006, quando ele foi prefeito de Jerusalém e ministro da Indústria e Comércio. As novas suspeitas apontam que Olmert teria duplicado notas fiscais de viagens ao exterior para pedir a diversos órgãos de governo e instituições privadas patrocínio para o pagamento dos mesmos vôos e estadias em hotéis. Órgãos como o Museu do Holocausto e o escritório americano da Associação de Amigos do Exército liberavam as verbas para o pagamento das despesas, que caíam numa conta do premier controlada pela empresa Rishon Tours.

A quantia que sobrava, estimada em US$100 mil, teria sido usada para bancar viagens particulares. Segundo fontes da polícia israelense, a agência de viagens servia como uma banco de crédito da família Olmert, custeando viagens de sua mulher, Alisa, e da filha, Michal. Representantes das empresas que doaram dinheiro disseram aos investigadores que foram enganados.

Chanceler Livni é favorita nas primárias do Kadima

O governo tentou minimizar as acusações.

¿ A terra não tremeu, o céu não caiu. O premier está convicto de sua inocência e tem certeza de que isso ficará claro ¿ disse o porta-voz Mark Regev.

Diversos deputados voltaram a exigir a renúncia do premier. O vice-primeiro-ministro Haim Ramon disse que o fim do governo Olmert está próximo e deve acontecer em 25 de setembro, nas primárias do partido Kadima. Pesquisas de opinião mostram a chanceler Tzipi Livni à frente, com 37% das intenções de voto. Num artigo publicado no jornal ¿Yedioth Ahronot¿, o analista Nahum Barnea observou que nem mesmo a troca de ameaças entre Israel e Irã poderá fazer o premier se manter no cargo: ¿Ele se equilibra de assunto em assunto. Das ameaças do Irã aos envelopes de dinheiro. Das negociações com a Síria às primárias do Kadima. Do Hamas ao Hezbollah. Tudo de olhos fechados, de maneira bizarra.¿