Título: Delfim Netto é citado em telefonemas de Nahas
Autor: Damé, Luiza; Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 16/07/2008, Economia, p. 23

PF: investidor soube que ex-deputado estaria articulando negócio. Ex-parlamentar nega

SÃO PAULO. O ex-deputado federal Antonio Delfim Netto (PP), ex-ministro da Fazenda, é citado em, ao menos, dois telefonemas de Naji Nahas monitorados pela Polícia Federal (PF). Análises da PF indicam que Nahas soube que Delfim estaria articulando "um negócio" de US$1 bilhão, em maio, e tenta incluir um doleiro nas operações, Marco Ernest Matalon, denunciado na Operação Satiagraha. Delfim nega o investimento e qualquer relação com o grupo de Nahas.

Em um dos diálogos de Nahas com Teófilo Guiral Rocha (advogado e suspeito de dar aspecto legal a negócios do investidor), em 14 de maio, às 15h24m, o investidor avisa Rocha que "o pessoal" estaria fechando grande negócio com Delfim, "de aproximados US$1 bilhão". Nahas avisa a Rocha que um dos doleiros que atuariam em seu esquema, Matalon, codinome "Velho" - tido como um dos maiores doleiros do país - deve se aproximar de Delfim. No mesmo dia, às 16h30m (meia hora depois), Nahas é informado por Rocha de que Delfim lhe disse que "o Velho já está dentro".

Rocha telefona para Nahas, que estaria em Paris, e diz: "Alô, olha não precisa o nosso amigo ligar que o Velho já tá dentro, tá?" "Maravilha", responde Nahas. "Acabou de me ligar aqui...", insiste Rocha. "Parabéns", responde Nahas. A PF não diz, em relatório, se checou as ligações recebidas por Rocha.

Para a PF, há indícios de que Nahas e Dantas planejavam manipular cotas e operar o Fundo Soberano do Brasil, anunciado pelo governo em maio. O fundo serviria para evitar a desvalorização das reservas cambiais em dólares. Em relatórios do delegado Protógenes Queiroz, Nahas aparenta ter informações privilegiadas do Fundo e se aventurava a captar investidores internacionais. Ele pretendia ganhar 10% com os investimentos, para a PF. Ele teria contatado investidores em China, Emirados Árabes e Arábia Saudita.

- É inacreditável que pessoas ou órgãos do governo federal tenham se comprometido com o chefe da organização criminosa para mais uma vez tentar ou programar o desvio de recursos públicos - opina o delegado da PF.

Delfim Netto: "Não conheço Teófilo nem Matalon"

Delfim negou qualquer tipo de negócio com Nahas, Marco Ernest Matalon e Teófilo Rocha. Segundo ele, o megainvestidor deveria estar se referindo ao Fundo Soberano do Brasil, ao qual Delfim faz oposição:

- Não conheço Teófilo nem Matalon. O Naji possivelmente estava se referindo ao Fundo Soberano do Brasil, que eu chamo de Fundo Soberano da Arábia Saudita, já que a idéia era que os sauditas investissem aqui. Sou contra este fundo que, na verdade, nem existe.

PF PRETENDIA PEDIR A PRISÃO DE EIKE na página 24