Título: PF prende 14 por grampo ilegal de investigações
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Fonte: O Globo, 17/07/2008, O País, p. 11
Grupo fazia escutas de operações policiais; por R$3 mil, o cliente poderia saber se estava sendo investigado.
SÃO PAULO. A Polícia Federal prendeu ontem, na Operação Ferreiro, 14 pessoas suspeitas de pertencer a uma quadrilha que fazia grampos ilegais e descobria a existência de quebra de sigilo telefônico e bancário em investigações policiais. A quadrilha era comandada pelo detetive particular Eloy de Lacerda, preso em sua casa no Pacaembu, bairro nobre de São Paulo, e pelo detetive particular Francesco Maio, preso em seu escritório em Pinheiros. Participavam do esquema funcionários contratados e terceirizados de cinco operadoras de telefonia e pelo menos um funcionário de instituição financeira.
Por R$3 mil, eles ofereciam serviços de varredura em linhas telefônicas para detectar se a pessoa era alvo de investigação policial. Caso o cliente tivesse sido grampeado pela polícia com autorização judicial, ficaria sabendo desde quando. Por R$15 mil, o cliente poderia obter escutas telefônicas ilegais em telefones fixos e celulares de qualquer pessoa por 15 dias. Os envolvidos entregavam um CD com todas as escutas. Na casa de Lacerda, a polícia apreendeu uma Ferrari 360 Modena e uma Mercedes Benz C-180K, além de uma maleta com equipamento para fazer escutas telefônicas ilegais em celulares. A maleta tinha o código 007.
A polícia chegou ao esquema na Operação Bicho Mineiro, deflagrada pela PF de Varginha (MG) no dia 10 para investigar estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica, evasão de divisas e lavagem de dinheiro entre empresários mineiros. Sete pessoas foram presas na operação.
Os agentes envolvidos na Bicho Mineiro perceberam que alguns suspeitos sabiam que eram alvo de investigação sigilosa. A polícia acredita que a quadrilha tenha atuado para interceptar outras investigações.
- Pelo patrimônio dos envolvidos, a quadrilha atuava há bastante tempo. Acreditamos que eles tenham vendido este serviço em outras investigações - disse o delegado.
Participaram da operação 110 agentes. De 17 mandados de prisão, sete preventivos e dez temporários, 14 já foram cumpridos, além de 28 mandados de busca e apreensão. Três clientes do esquema foram presos em Varginha e já eram investigados na Operação Bicho Mineiro. O funcionário de uma empresa terceirizada de telefonia foi detido em Jundiaí. Os outros dez foram presos em São Paulo. Três ainda estão sendo procurados.