Título: Heráclito Fortes obtém acesso à investigação
Autor:
Fonte: O Globo, 18/07/2008, Economia, p. 29

Gilmar Mendes acolhe pedido do senador citado nos autos da Operação Satiagraha.

BRASÍLIA. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, concedeu ontem ao senador Heráclito Fortes (DEM-PI) o acesso aos autos do inquérito da Operação Satiagraha. O pedido do senador foi feito na quarta-feira, sob o argumento de que jornais e revistas noticiaram que ele é um dos mais citados em transcrições de escutas realizadas pela Polícia Federal (PF) no caso. Porém, como não tivera a chance de examinar os documentos, ele não poderia se defender das acusações de participação no esquema de corrupção desvendado pela operação.

- Precisamos saber o que há nessas investigações. Para mim, as conversas estão editadas, não há a transcrição de todas as conversas - afirmou ao GLOBO o senador.

Em despacho resumido, Gilmar concordou com as alegações do parlamentar. E lembrou que, na semana passada, o banqueiro Daniel Dantas, investigado no mesmo caso, obteve acesso ao inquérito.

"O mesmo direito deferido aos pacientes de acesso aos autos do procedimento investigatório deve ser estendido a todos os demais investigados, no que se inclui o senador Heráclito Fortes, ante a plausibilidade do argumento de que sob tal condição figura naqueles autos, conforme amplamente divulgado pela imprensa", escreveu o ministro.

Senador argumenta que teve imagem manchada

No texto, Gilmar deu a entender que qualquer outro investigado, se pedir ao STF, terá acesso aos autos da investigação. Segundo a petição ajuizada pela defesa do parlamentar, pela leitura dos jornais "constata-se que a Polícia Federal vazou, como aliás sempre faz, os elementos colhidos na investigação com o único e claro escopo de prejudicar a imagem também de outras pessoas, não envolvidas nos fatos em apuração. É o caso do senador ora requerente".

A defesa do senador também argumentou que o vazamento das informações manchou a imagem dele:

"O nome do requerente, um senador da República foi exposto de forma ilegal, precipitada e irresponsável, procurando levar a sociedade a crer tratar-se o parlamentar de integrante de uma organização criminosa, sem que o mesmo nada possa alegar em sua defesa por não ter merecido o mesmo privilégio dedicado à imprensa pelas autoridades policiais".