Título: Preço do petróleo cai 11% em 4 dias
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Fonte: O Globo, 19/07/2008, Economia, p. 32

Barril fecha a US$128,88. Resultado do Citi impulsiona Bolsa nos EUA.

NOVA YORK e WASHINGTON. O preço do petróleo caiu ontem pelo quarto dia consecutivo, fechando novamente abaixo de US$130. O barril do tipo leve americano fechou em US$128,88, numa queda acumulada de 11,22% desde terça-feira. É o maior recuo em quatro dias desde dezembro de 2004. Em dólares, a perda total nesse período - de US$16,83 - é a maior desde 1983, quando os contratos futuros de petróleo começaram a ser negociados na Bolsa de Nova York.

No início do dia, o preço chegou a subir, para US$129,43, mas acabou caindo no fim do pregão, com recuo de 0,31% em relação à véspera. O barril tipo Brent, negociado em Londres, caiu 0,67%, para US$130,19. Este mês, o barril do leve americano chegou a fechar acima dos US$145.

O que aliviou a pressão sobre os preços ontem foi a sinalização de que a tensão entre os Estados Unidos e o Irã, membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), está se reduzindo. Este fim de semana, um enviado especial americano vai se encontrar com representantes do Irã e da União Européia, em Genebra, para discutir uma saída diplomática para o impasse a respeito do programa nuclear iraniano. Até agora, havia rumores de que Israel, apoiado pelos EUA, poderia deflagrar um ataque a instalações nucleares iranianas.

Índice de "commodities" tem queda de 7,4% na semana

O petróleo não é a única commodity que vem se desvalorizando. Os preços dessas matérias-primas recuaram pelo 5º dia consecutivo ontem, registrando sua mais longa série de quedas desde novembro de 2007, devido ao receio de que a desaceleração do crescimento mundial vai corroer a demanda por combustíveis, grãos e metais. O índice Reuters-CRB recuou 7,4% esta semana, puxado pelos declínios nos preços do petróleo, do milho e do açúcar. Ontem, o índice caiu 1,4%, para 426,57 pontos, seu mais baixo patamar em seis semanas, após ter alcançado o recorde de 473,97 pontos em 3 de julho passado.

Esse quadro ajudou a manter a Bolsa de Nova York no terreno positivo, depois de um dia de fortes oscilações. Seu principal índice, o Dow Jones, avançou 0,4%. O resultado trimestral melhor que o esperado do Citigroup, maior bancos dos EUA, também contribuiu para manter o índice no azul. O banco registrou perda de US$2,5 bilhões e baixas contábeis de US$7,2 bilhões, incluindo US$3,5 bilhões por exposições relacionadas a hipotecas de alto risco.

Bovespa cai 0,20% e dólar recua para R$1,589

Já o Merrill Lynch, terceiro maior banco de investimentos dos EUA, anunciou prejuízo maior que o previsto. A perda foi de US$4,65 bilhões, ante ganho de US$2,14 bilhões no segundo trimestre de 2007. O banco amargou ainda baixas contábeis de US$9,7 bilhões. Na Alemanha, as ações da Merrill chegaram a cair 7%. Em Nova York, porém, elas fecharam em alta de 0,6%.

Já o índice de tecnologia, o Nasdaq, fechou em baixa de 1,3%, devido aos resultados de empresas como Google e Microsoft abaixo das expectativas dos analistas. Os resultados foram divulgados na véspera, após o fechamento do mercado.

No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 0,20%, aos 59.988 pontos, após passar o dia oscilando próximo do zero. O destaque do dia foram as ações de bancos, que subiram acompanhando a alta do setor no mercado americano. As ações do Bradesco subiram 3,49% e as do Itaú, 3,07%. Já o dólar teve nova queda, de 0,63%, para R$1,589.

COLABOROU Felipe Frisch, com Bloomberg News