Título: Prédios à prova de fuga para 416 presos perigosos
Autor: Carvalho, Jailton de
Fonte: O Globo, 20/07/2008, O País, p. 13
De Brasília, pelo vídeo, diretor pode monitorar as celas.
BRASÍLIA A construção do presídio federal de Mossoró acabou em abril, após longas batalhas para a obtenção de verbas e escolha do local. Vários projetos de presídios federais foram abandonados com a resistência de moradores e de políticos das cidades onde o ministério pretendia erguer a penitenciária. O presídio de Porto Velho está pronto desde 28 de maio. Os presídios são estruturas modernas e, segundo o Ministério da Justiça, à prova de fuga. Os dois comportam, juntos, 416 presos de alta periculosidade.
As construções têm padrão único. Cada prédio é monitorado por 240 câmeras, tem cinco celas para visitas íntimas e 12 mil metros quadrados de área construída. Os prédios com equipamentos de última geração custaram R$25 milhões cada. O circuito interno de vídeo é tão sofisticado que, de seu gabinete em Brasília, o diretor do Sistema Penitenciário Federal, Wilson Damázio pode acompanhar tudo o que se passa nos presídios: só celas vazias.
E o desperdício não pára. A cada dois meses, 60 agentes penitenciários dos presídios federais de Catanduvas, no Paraná, e Campo Grande, no Mato Grosso, são deslocados para fazer a segurança dos dois prédios.
Estados já pediram abrigo para 694 presos
A demanda por vagas é grande. Os governos estaduais já pediram abrigo para 694 presos, em geral chefes de organizações criminosas. Os presídios de Catanduvas e Campo Grande têm capacidade para 416 presos. Muitos são chefes de organizações criminosas que lideraram rebeliões e protestos em presídios de São Paulo e do Rio de Janeiro.
- Os presídios federais são muito importantes. Já mandei 14 para lá e preciso mandar outro tanto - afirmou o secretário de Segurança Pública do Pará, Geraldo Araújo.
Esta semana, o promotor de Justiça gaúcho Airton Michels assumiu o Departamento Penitenciário Nacional, do Ministério da Justiça, e disse que é preciso reduzir o déficit de vagas no sistema penal do país. O país tem cerca de 430 mil presos e déficit de 185 mil vagas.
Pela Assessoria de Imprensa do Ministério da Justiça, Wilson Damázio, informou sexta-feira que estava com viagem marcada e não poderia dar entrevista. Segundo a assessoria, representantes do ministério se reunirão com dirigentes do Ministério do Planejamento para reforçar o pedido de abertura de concursos. Mas o Planejamento informou que não há previsão de concurso.
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