Título: Lula cogita chapa Dilma-Ciro
Autor: Suwwan, Leila
Fonte: O Globo, 01/08/2008, O País, p. 3
Hoje, a petista é a candidata do presidente; PMDB quer a vice
Gerson Camarotti
BRASÍLIA. Depois de ter recomendado a aliados, num jantar em Salvador, que "tratassem bem" sua candidata, a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu mais um passo em direção a 2010 e manifestou nas rodas com políticos que a chapa dos seus sonhos seria formada pela ministra e, como vice, o deputado e ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE). Com isso, Lula vai testando suas possibilidades. No Palácio do Planalto já se sabe que essa chapa enfrentaria fortes resistências, a começar pelo PMDB, que cobra a condição de aliado preferencial do governo.
O presidente tem dito que o deputado cearense poderia somar votos para a ministra petista, principalmente no eleitorado nordestino. Hoje, mais de dois anos antes, Ciro está em segundo lugar nas pesquisas e Dilma, em quarto. Mas Lula e assessores reconhecem que, apesar de ser uma chapa com potencial, os dois nomes são considerados de difícil trânsito político.
Lula ainda não conversou sobre o seu desejo com Ciro. Mas já mandou recados ao comando do PSB. Também sondou peemedebistas para tentar quebrar as resistências, o que não será fácil. O partido sonha em indicar o candidato a vice na chapa petista. Entre os nomes já cotados pelo partido, o mais forte é o do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB). Ontem, o líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), reagiu à notícia publicada na coluna Panorama Político, do GLOBO, sobre a preferência pela chapa Dilma-Ciro:
- Se o PMDB ficar fora da chapa presidencial, o partido está fora da aliança. Tirar o PMDB da chapa seria um grande equívoco. O núcleo central dessa aliança é PT-PMDB. Por isso, não acredito numa chapa que exclua o maior partido do país, com a maior bancada no Congresso Nacional. Além disso, o PMDB é um partido unificado. O partido tem nomes, inclusive, para indicar o cabeça da chapa.
Mesmo assim, Lula aposta no seu poder de convencimento. O presidente tem dito, cada vez mais, que o palanque único para a sucessão de 2010 é a chave do sucesso. Ele considera que, se a base estiver dividida, haverá dificuldades naturais, além de eventuais seqüelas no segundo turno.
Recentemente, a chefe da Casa Civil começou a trabalhar mais sua imagem para assumir uma linha Dilma "paz e amor". Até então reativa ao trato político, ela passou a demonstrar mais jogo de cintura com os aliados, para consolidar a posição de presidenciável. Já há uma convicção no núcleo do governo de que logo depois da eleição municipal, a sucessão de 2010 se tornará o principal assunto da pauta política. Por isso, Lula começou as sondagens políticas. Vai tentar poupar o nome de Dilma o máximo possível.
Sua presença em palanques eleitorais será evitada, mas a ministra vai aproveitar as viagens presidenciais para ganhar experiência em palanques, como ocorreu na Bahia, sem riscos de criar conflitos políticos na base governista.
Quando defende o nome de Dilma, Lula sempre aponta uma característica: a lealdade. Mesmo como mais importante gestora do governo, Dilma não faz sombra ao presidente. Situação bem diferente do primeiro mandato, quando Lula sentia que era uma espécie de refém da trinca de poderosos ministros formada por José Dirceu (Casa Civil), Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação) e Antonio Palocci (Fazenda).